sexta-feira, 19 de outubro de 2012

O testamento de um missionário.




"O ministério que eu recebi: dar testemunho do Evangelho da graça de Deus" (Atos 20, 24).

Ao terminar esta série de artigos sobre o livro dos Atos dos Apóstolos e a missão, é bom podermos recolher o testamento do missionário Paulo de Tarso (Atos 20, 17 a 35).

O Apóstolo sabe que está se aproximando o fim da sua missão: "de cidade em cidade o Espírito Santo me adverte dizendo que me aguardam cadeias e tribulações" (Atos 20, 23). Então diante dos anciãos (líderes) da comunidade de Éfeso, reunidos ao seu redor na cidade de Mileto, Paulo faz uma avaliação do seu trabalho missionário. Desde que ele chegou na Província da Ásia ele teve um excelente relacionamento com todos. "Eu servi ao Senhor com toda humildade, com lágrimas e no meio das provações" (Atos 20, 19) O seu ministério sempre ele o considerou como um serviço que ele rendia em primeiro lugar ao Senhor. Por causa do anúncio do Evangelho derramou lágrimas, exortando e animando os novos discípulos: "Durante três anos, dia e noite, não cessei de exortar com lágrimas a cada um de vocês (Atos 20, 31). Evangelizar é um verdadeiro parto, é fazer nascer novos membros para a comunidade-Igreja. O missionário sofre as dores do parto, mas também se alegra quando nasce um novo discípulo, quando surge uma nova comunidade, pois ele sabe e descobre que " há mais felicidade em dar que em receber" (Atos 20, 35).

A relação com os cristãos de Éfeso e com os seus líderes, foi extremamente fraterna: "Nada do que poderia ser útil a vocês deixei de ensinar, que seja em público ou nas casas" (Atos 20, 21). O missionário visita as pessoas de casa em casa, ele se faz próximo dos que ele vem evangelizar. Não podemos esquecer que este lugar da casa foi nas primeiras comunidades o lugar por excelência da reunião, da celebração, da catequese, da convivência dos cristãos (Atos 2, 42-47). Paulo tem consciência que ele desempenhou o seu serviço do evangelho sem segundas intenções de querer se enriquecer ou se promover: "não cobicei prata, ouro, ou vestes de ninguém". Ele recebeu de graça, de graça deu. Ele se comportou assim como Pedro recomendava aos líderes das igrejas: "Apascentai o rebanho de Deus que lhes foi confiado não por torpe ganância" (1a de Pedro 5, 2). Ao contrário Paulo se sustentou e sustentou os seus colaboradores com o trabalho de suas mãos. Ele pode se oferecer como exemplo: "Lhes mostrei que é afadigando-nos assim que devemos ajudar os fracos" (Atos 20, 35).

Depois de sua partida, os líderes deverão continuar a cuidar do rebanho com a mesma postura que viram no Apóstolo. Eles terão, sobretudo, que vigiar. Como bons pastores deverão defender o rebanho do perigo dos lobos. Tem lobos exteriores a comunidade, mas tem os que fazem parte da comunidade. O lobo destrói, massacra as ovelhas. Ao reler as cartas de João, de Tiago, do próprio Paulo, a gente percebe todas as dificuldades que os cristãos deviam enfrentar para permanecer fiéis a sua fé em Cristo Jesus e a sua Palavra.

Por isso o Apóstolo recomenda os discípulos à Deus e à sua Palavra. É lá que encontrarão a força e a sabedoria necessária para conduzir o rebanho pelos caminhos da vida. Paulo terminou o seu combate, ele combateu bem e tem certeza que vai receber a coroa imperecível que Deus em justo juiz lhe entregará (2a a Timóteo 4, 6-8).

Temos em Paulo de Tarso um exemplo de missionário fielmente dedicado à sua missão. Possamos, como ele deseja, sermos os seus imitadores: "sejam os meus imitadores , como eu mesmo o sou de Cristo" (1a aos Coríntios 11, 1). Se conseguirmos isso, então vão não terá sido este pequeno estudo do Livro dos Atos dos Apóstolos.

Pe. Francisco Rubeaux OMI







Nota de esclarecimentos

Caríssimos amigas e amigos seguidores deste Blog,
    A todas e todos devo umas explicações do porque meu Blog ficou mudo tanto tempo...
   A última postagem foi em abril! Eu estive dois meses de férias na França (maio e junho). Ao voltar para o Brasil tive bastante ocupação para por tudo em ordem. Em agosto após o retiro congregacional, os Oblatos do Brail realizaram a sua assembleia anual. Este ano a assembleia era eletiva. Meus irmãos acharam por bem de me eleger novo superior Provincial da Provincia Oblata do Brasil. Tive que arrumar a minha bagagem e de Manaus voltar para São Paulo. Mas até o fim do ano estou tentando responder aos compromissos de duas agendas: a minha, já bem cheia até o fim do ano e a de Provincial que inclui bastante viagens e reuniões. As vezes os compromissos das duas agendas se chocam...então tem que se desdobrar! E com isso pouco tempo fica para o Blog. Mas  quero recomeçar este intercambio de norícias e de informações. E hoje, neste mês das Missões, vou postar um artigo sobre o testamento de um missionário. Não o meu...! mas o de  Paulo de Tarso. Um comentário a partir do texto dos Atos dos Apóstolos 20, 17 a 35.   A todas e todos uma boa leitura, na alegria do reencontro. Fraternal abraço do Pe. Francisco Rubeaux OMI.

sábado, 7 de abril de 2012

A caminho de Emaus

OS DISCÍPULOS DE EMAUS.
(Evangelho segundo Lucas 24, 13 a 35).


1. Caminhar sem reconhecer Jesus junto de nós. (Lucas 24, 13-17).

“Eis que dois dos discípulos de Jesus viajavam neste mesmo dia da Ressurreição, para uma aldeia chamada Emaús, a uns 12 quilômetros de Jerusalém; eles conversavam sobre todos os acontecimentos ocorridos nos dias passados. Ora enquanto conversavam e discutiam entre si, o próprio Jesus aproximou-se e pôs-se a caminhar com eles; seus olhos porém, estavam impedidos de reconhecê-lo. Ele lhes disse:” Que palavras são essas que trocais enquanto ides caminhando?” E eles pararam, com o rosto sombrio.”

Os dois discípulos estão deixando Jerusalém, estão deixando os outros discípulos, pois todos se dispersaram. Não tem mais comunidade. Tudo está destruído. Os dois estão voltando para a casa, tristes sem esperança nenhuma. É dia, mas no coração é noite: noite da tristeza e da derrota. São incapazes de reconhecer Jesus no companheiro de caminhada. Mas Jesus está sempre por perto, Ele caminha conosco, Ele se interessa por cada um de nós.

E nós, hoje, acontece de nós estarmos tristes e perder a esperança por causa de acontecimentos que perturbam a nossa vida? Nós também fugimos de todos, não queremos mais saber de nada nem de ninguém?

2. Porque tanta tristeza? (Lucas 24, 18-24).

“Tu és o único forasteiro em Jerusalém a ignorar o que aconteceu com Jesus de Nazaré, que foi um grande Profeta poderoso em obra e palavra, diante de Deus e diante de todo o povo; nossos sumos sacerdotes e nossos chefes o entregaram para ser condenado à morte e o crucificaram. Nós esperávamos que fosse ele quem iria redimir Israel; mas , com tudo isso, faz três dias que todas essas coisas aconteceram!”

Os dois guardaram de Jesus unicamente a lembrança da cruz. Os poderosos conseguiram apagar nos corações deles a esperança que tinham de uma mudança, da chegada de um Messias, enviado por Deus. Mas os poderosos crucificaram esse sonho. “Nós esperávamos...” Porém, agora não tem mais nenhuma chance, pois já completou três dias que tudo isso aconteceu.

Nós já tivemos decepção na vida? Pensávamos que ia acontecer uma coisa boa para a gente e tudo deu errado. Em relação a Deus, quantas vezes também, a gente esperou e nada veio....Parece que Deus nos abandonou, Ele nos fez esperar e nada aconteceu.

3. Pelo caminho, Jesus explica as Escrituras. (Lucas 24, 25-27).

“Jesus então lhes disse:” Ó insensatos e lentos de coração para crer tudo o que os profetas anunciaram! Não era preciso que o Cristo sofresse tudo isso e entrasse em sua glória”? E começando por Moisés e por todos os Profetas, interpretou-lhes em todas as Escrituras o que a ele dizia respeito.”

Todas as Escrituras: Moisés é o Pentateuco, os cinco primeiros livros da Bíblia: Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio. Eles conhecem as Escrituras mas elas não passaram na vida deles. Eles sabem de cor, eles ouvem sempre as leituras na Sinagoga, mas isso não diz nada para a vida deles. A Palavra de Deus não ilumina os acontecimentos que eles vivem. Os Profetas também anunciaram os sofrimentos do Messias. O Profeta Isaías falou de um Servo Sofredor, cordeiro levado ao matadouro... O Salmo 22 é a oração do justo torturado e humilhado “ eles tiraram as suas vestes e as sortearam....lhe deram vinagre para beber...traspassaram suas mãos e seus pés...”

E nós, hoje, como a Palavra de Deus nos ajuda a caminhar? Tudo que sabemos e ouvimos da Bíblia nos ajuda na nossa vida do dia a dia, ou esquecemos tudo, na hora do aperto? Cantamos que a Palavra de Deus é luz para os nossos passos, é verdade na nossa vida do dia a dia?

4. Na casa, sentado à mesa, Jesus reparte o pão. (Lucas 24, 24-30).

“Eles disseram ao companheiro de viagem: permanece conosco, pois cai a tarde e o dia já declina.” Jesus entrou então para ficar com eles. E uma vez à mesa com eles, tomou o pão, abençoou-o , depois partiu-o e distribuiu-o a eles. Então seus olhos se abriram e o reconheceram; Ele porém ficou invisível diante deles. E disseram um ao outro: “Não ardia o nosso coração quando Ele nos falava pelo caminho, quando nos explicava as Escrituras?”

Os dois discípulos conviveram com Jesus, conheciam esse gesto característico dele: partir o pão. Era o gesto que ele mesmo tinha deixado como sinal de sua presença: “Fazei isto em memória de mim...” Eles lembraram também o dia da multiplicação dos pães. Partir o pão é o gesto que refresca a memória dos discípulos de Jesus. Ele está presente entre eles, cada vez que eles se reúnem para repartir o pão. Eles também lembram quanto foi bom ouvir a explicação das Escrituras pelo caminho. São as duas coisas que faltavam para eles reencontrar a esperança e o ânimo: reler as Escrituras para iluminar a caminhada, e partir o pão que sustenta a caminhada e garante a presença do Mestre entre nós.

E nós, hoje, quando desanimamos onde procuramos forças? As Escrituras alimentam nossa fé e nossa esperança? Procuramos encontrar o Senhor Jesus na oração ou na Eucaristia? O que nos dá força para continuar a nossa caminhada quando estamos desanimados e tristes?

5. Nas Escrituras explicadas e na partilha do pão: a missão.

“Naquela mesma hora, levantaram-se e voltaram para Jerusalém. Acharam aí reunidos os Onze e seus companheiros que disseram: “ É verdade! O Senhor ressurgiu e apareceu a Simão!” E eles narraram os acontecimentos do caminho e como o haviam reconhecido na fração do pão.” (Lucas 24, 33-35).

Jesus devolveu a esperança e a coragem aos dois discípulos desanimados. Agora, cheios de força, eles voltam para junto dos outros, eles não tem medo de enfrentar a realidade que deixaram em Jerusalém, o lugar da crucificação. É noite, mas eles estão voltando alegres, felizes, pois sabem que o Cristo ressuscitou: os seus corações estão cheios de luz. Eles se sentiram na obrigação de levar logo a boa nova aos demais discípulos, não deixaram para o outro dia.

E nós, hoje, qual é a Boa Nova que temos para anunciar aos irmãos e irmãs mais desanimados do que nós? Como estamos passando para eles a luz e a força da Ressurreição de Jesus?

sexta-feira, 6 de abril de 2012

FELIZ PÁSCOA

FELIZ PÀSCOA DA RESSURREIÇÃO
"Ele não está aqui, ressurgiu, e Ele está lhes
precedendo na Galiléia, lá o vereis"
(Mateus 28, 6-7)
Amigas, amigos, irmãs e irmãos,
Que a Ressurreição de Jesus continue sendo luz e força nos seus caminhos, Ele está na nossa frente, nos precedendo nas Galiléias de hoje, ou seja nos lugares da marginalidade e da exclusão, no meio dos empobrecidos, é lá que O veremos. Eu peço ao Pai para que todas e todos abramos os nossos olhos para reconhecê-Lo como os discípulos de Emaus: na realidade do dia a dia com nossas alegrias e tristezas, nas Escrituras lidas e interpretadas em comunidade, e na fração do pão eucaristico. Então estaremos prontos para a missão, anunciando em todos os lugares a grande e boa nova: "Jesus ressuscitou, nós o vimos!"
Com grande e saudoso abraço do Pe. Francisco OMI

sexta-feira, 30 de março de 2012

SEMANA SANTA

SEMANA SANTA, PASSO A PASSO COM A BÍBLIA.

A Semana Santa nos faz reviver na nossa realidade de hoje, lá onde nós estamos, os últimos dias da vida terrestre de Jesus. São os dias em que se realizou plenamente a nossa salvação.

“Hosana ao Filho de Davi...” (Mateus 21, 9). A Semana santa abre-se com o domingo dos Ramos. Nós lembramos a entrada de Jesus na cidade de Jerusalém. Todos o aclamam, reconhecendo-o como Messias (Filho de Davi) e pedem que ele “dê a salvação” (Hosana) Para o povo ele vem libertar do jugo dos romanos. Ninguém repara que Jesus fez questão de entrar montado num jumentinho segundo a profecia de Zacarias 9, 9. Ele não monta um cavalo como os reis, pois ele não um chefe de guerra, um libertador militar. Ele vem salvar a humanidade do seu pecado: “Eis o Cordeiro de Deus, eis aquele que tira o pecado do mundo” (João 1, 29). O pecado que vicia toda a organização da sociedade, Jesus vem propor outro projeto de sociedade que ele chama “Reino do Pai”. Decepcionado o povo, na sexta feira, gritará “Crucifica-o” e lhe preferirá um subversivo, um sicário (homem que age com punhal na mão) Barrabás, que pelo menos luta contra o opressor romano. Que tipo de Libertador nós queremos? Qual é o pecado do mundo hoje do qual o Cordeiro deve nos libertar?

“Desejei ardentemente comer esta páscoa com vocês antes de sofrer...” (Lucas 22, 15). Na Quinta feira Santa lembramos a Última Ceia que Jesus quis tomar com os seus discípulos. É a ceia que permanecerá no seio das comunidades até hoje, para lembrar (fazer memória) da vida, da prática, da mensagem de Jesus. Como um bom pastor ele veio dar a sua vida para que todos tenham vida (João 10, 10). Por isso a última Ceia antecipa o dom que Jesus vai fazer de sua vida. Cada Eucaristia renova para nós este gesto de amor “prova de amor maior não há que doar a vida pelo irmão...” (João 15, 13). Segundo o evangelista Lucas, é na Ceia que Jesus afirma que: “Quem é o maior: o que está na mesa ou aquele que serve? Não é aquele que está na mesa? Eu, porém, estou no meio de vocês como aquele que serve” (Lucas 22, 27). Por isso o evangelista João não nos relatará a instituição da Eucaristia, mas o “lava pés”, expressão máxima do que é dar a sua vida. No fim do seu gesto de serviço Jesus nos pede de fazer o mesmo: “Lhes dei o exemplo para que, como eu fiz, também vocês façam” (João 13, 15). Mas a última Ceia é também memória da primeira que se deu na relva verde da Galiléiana época da Páscoa dos Judeus (João 6, 4), quando Jesus repartiu os cinco pães e os dois peixes (Marcos 6, 38-39). Nossas celebrações eucarísticas lembram realmente o que foi a primeira e a última Ceia? Como eu vivo no dia a dia a Eucaristia celebrada? Como me sinto comprometido a fazer como Jesus fez (partilha, lavar os pés, dar a vida)?

Na noite de quinta para sexta nós vigiamos junto com Jesus no Jardim das Oliveiras. “Vigiem! (Mateus 24, 42); Permanecei aqui e vigiem comigo (Mateus 26, 38); Não foram capazes de vigiar comigo por uma hora!” (Mateus 26, 40).

“Não quis saber outra coisa entre vocês a não ser Jesus Cristo, e Jesus Cristo crucificado “(1ª aos Coríntios 2, 2). “Quanto a mim não aconteça gloriar-me senão na cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo...” (Gálatas 6, 14). A Sexta feira Santa nos dá de acompanhar Jesus nos seus sofrimentos, atualizando esta Paixão do Senhor para nós hoje, nos solidarizando com todos os sofredores de hoje: vítimas da violência, da guerra, do ódio, das calamidades, da fome e da injustiça social. Ao contemplar o Crucificado, contemplamos todos os Crucificados de hoje. Quantos inocentes são vítimas do sistema social no qual vivemos, eles carregam o pecado da sociedade injusta e esmagadora. Eles são os cordeiros de hoje: todos os condenam, mas na realidade são os nossos pecados que eles carregam: “Desprezado, não fazíamos caso nenhum dele. No entanto, eram as nossas enfermidades que ele levava sobre si, as nossas dores que ele carregava” (Isaías 53, 4). A Cruz, instrumento do mais terrível suplício tornou-se, no Calvário, o sinal do maior amor que se conheceu nesta terra. Por isso a Cruz se tornou o sinal da vida cristã: doação total de si por amor, como Jesus. Que sentido tem a cruz na minha vida? Ao ver uma cruz o que penso, o que faço, mexe em minha vida?

Sábado Santo é dia de espera. “Passado o sábado, Maria Madalena e Maria, mãe de Tiago, e Salomé compraram aromas para ungi-lo” (Marcos 16, 1). O que não pode ser feito no sábado, as mulheres vão fazê-lo no dia seguinte: ungir o corpo do Senhor, pois ele está bem morto! Nós sabemos que não foi bem assim que terminou a história, por isso é importante nos prepararmos ao ressurgir à VIDA.
Esta preparação culmina com a Vigília da Páscoa. Naquela noite escutamos de novo as Escrituras que nos lembram os grandes momentos da História da Salvação (Criação, libertação...). Nós reafirmamos a nossa vontade de seguir a Jesus, renovando as promessas do nosso Batismo (Romanos 6, 3 e 4; Colossenses 3, 1-4)). Nós irrompemos em cantos de louvor e glória e acabamos celebrando a Eucaristia pela qual fazemos memória de toda esta semana e “O reconhecemos vivo à fração do pão” (Lucas 24, 35).
ALELUIA! (Deus seja louvado): a Vida venceu a morte, porque o amor é mais forte do que a morte (Cântico dos Cânticos 8, 6).

“Porque procuram entre os mortos Aquele que está vivo. Ele não está aqui!” (Lucas 5-6). “Eu vi o Senhor!” (João 20, 18). Pela fé e pelo amor Jesus se dá a ver. A Ressurreição não é provada pela ciência, mas é ato de fé e de amor. Abrem-se os olhos dos que crêem: “Felizes os que não viram e creram” (João 20, 30). “Então os seus olhos se abriram e o reconheceram na fração do pão” (Lucas 24, 31). E nós hoje como reconhecemos a presença de Jesus na nossa vida? Na vida dos que estão perto de nós? Nos acontecimentos do dia a dia?
Nossa fé na Ressurreição se fundamenta no testemunho dos primeiros discípulos e discípulas. É a fé que recebemos da Comunidade eclesial e que transmitimos ao anunciar a Boa Nova: “Cristo morreu por nossos pecados, segundo as Escrituras. Foi sepultado, ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras. Apareceu a Cefas, e depois aos Doze. Em seguida apareceu a mais de quinhentos irmãos de uma só vez, a maioria dos quais ainda vive, enquanto alguns já adormeceram. Posteriormente, apareceu a Tiago, e, depois, a todos os Apóstolos. Em último lugar, apareceu também a mim como a um abortivo” (1ª aos Coríntios 15, 3-8).
“Nossa Páscoa, Cristo, foi imolada. Celebremos, portanto, a festa, não com velho fermento, nem com fermento de malícia e perversidade, mas com pães ázimos: na pureza e na verdade” (1ª aos Coríntios 5, 7-8).

domingo, 19 de fevereiro de 2012

Saúde Pública.

"Que a saúde de difunda sobre a terra"
A Campanha da Fraternidade está voltando junto com o tempo da Quaresma. Sabemos que este tempo é tempo de conversão a partir da reflexão e da meditação da Palavra de Deus. Conversão de vida, mudança de atitudes, que partem da mudança de visão e de pensamento (metanoia). A Palavra de Deus vem iluminar o nosso pensar, o nosso sentir e nos provoca à mudanças de comportamento. Mas isso será possível somente se soubermos olhar a realidade, escutar os clamores dos sofredores.
Este ano a Campanha da Fraternidade nos convida a olhar a situação da saúde no nosso país e a escutar os gritos dos que sofrem por não ter atendimento adequado para as suas doenças. È da competência do Governo, tanto federal como estadual ou municipal, oferecer condições dignas para que todos tenham saúde ou, pelo menos, sejam atendidos nas suas dores: é a saúde pública.
Em todos os tempos a saúde pública foi defeituosa. Não é por acaso que foram fundadas tantas Congregações religiosas cujo objetivo era atender os doentes. E até hoje as Paróquias mantêm uma Pastoral da saúde com o intuito de cuidar e acompanhar de mais perto as pessoas de saúde deficiente, ajudá-las nos emaranhados administrativos. A Igreja sempre exerceu neste campo da saúde um trabalho de suplência muito valioso.
Não adiante nada descrever aqui a situação da saúde pública hoje nos nossos municípios ou localidades por menores que sejam. Quem de nós não conhece as filas do SUS, quem não já as enfrentou alta hora da madrugada. Todos nós encontramos destes postos de saúde com aparelhos quebrados ou sem os recursos básicos para os primeiros socorros.
Mas o primeiro passo para a saúde é, sem dúvida, prevenir. E isso depende em parte, de cada um de nós. Sabiamente o livro do Eclesiástico alerta: "Filho, vê o que é nocivo e não to concedas... muitos morreram por intemperança, mas aquele que se cuida prolonga a sua vida" (Eclesiástico 37, 27-31). Temos que saber nos cuidar, nos controlar. Cada um se conhece e sabe o que lhe faz bem e o que lhe faz mal. Mas como prevenir quando não se tem saneamento básico descente, quando não se tem alimentação equilibrada e suficiente a cada dia, quando a habitação é precária... Saúde envolve outros setores da vida. Aqui também a administração pública tem sua responsabilidade. À nós de saber eleger os nossos representantes e sobretudo cobrar deles no exercício do seu mandato.
Todos nós temos que nos unir para exigir os direitos à saúde, mas também para encontrar meios que permitem que a saúde se difunda por toda a terra. Ao cuidar da saúde continuamos anunciando o Reino que Jesus veio inaugurar. Ele sempre esteve preocupado com os doentes, aliviando suas dores e restaurando as vidas atingidas pela doença. Não é o caso aqui citar todos os textos do Evangelho que nos descrevem esta atenção particular de Jesus com os doentes. Pelos seus gestos como pelas suas palavras de ânimo com os doentes, Jesus anunciava o mundo novo, o Reino de Deus. O mundo novo é o mundo da vida e da vida plena, Neste mundo "não haverá mais morte, nem luto, nem clamor, e nem dor haverá mais. Na nova cidade no meio da praça, de um lado e do outro do rio, há árvores da vida que frutificam doze vezes, dando fruto a cada mês; e suas folhas servem para curar as nações" (Apocalipse 21, 4 e 22, 2).
Ao lutar por uma saúde pública eficiente estamos construindo o Reino de Deus, estamos desempenhando a nossa missão de batizados. Então, nesta Quaresma, vamos juntar os nossos esforços para alcançar uma melhor organização da saúde, vamos aprender a permanecer vigilantes nas políticas de saúde, pois é uma luta constante até que " a saúde se difunda por toda a terra"

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Em busca do Salvador

Os caminhos que levam ao Salvador.
Chegou a festa dos Reis. Hoje em dia as imagens dos Reis são colocadas no presépio desde o dia de Natal, senão antes! Mas a tradição diz que eles conseguiram alcançar o lugar onde tinha nascido "o rei dos Judeus", dias depois do nascimento e depois dos pastores. Porque? Porque a festa da Epifania foi nas Igrejas do Oriente a única festa que celebrava a vinda do Filho de Deus na carne humana: sua manifestação (Epifania). Neste dia se comemorava o nascimento de Jesus, a circuncisão, a apresentação no Templo, a adoração dos Reis Magos, o Batismo no rio Jordão e até as Bodas de Caná. Todos fatos que foram a primeira manifestação do Filho de Deus na carne.
Mateus é o único evangelista que nos apresenta esta narração da adoração dos Magos. Não é reportagem de um fato histórico, é uma narração com finalidade teológica. Na literatura hebraica este procedimento chama-se "midrash": uma história do passado que o autor retoma, interpreta e atualiza para os tempos dos seus leitores. Vamos tentar descobrir algumas destas reinterpretações.

Vamos notar logo que o evangelista fala em " uns magos", nunca falou que eram rei nem que eram três. Mas a interpretação do fato à luz das Escrituras favoreceram estes detalhes. O Salmo 72 10-11 nos fala que reis de Társis, de Sabá e Seba vem se prostrar diante do rei Messias. Quanto ao Profeta Isaías, ele também descreve a universalidade do rei Messias afirmando que os reis trazem ouro, incenso. como presentes (Isaías 60, 6). Mateus falou em "ouro, incenso e mirra". Se são três os presentes então devem ser três os Reis!
Mesmo que venham do Oriente (Região da Mesopotâmia) os Magos lembram os Magos do Egito (Êxodo 8, 15). Eles reconhecem a ação de Deus nas façanhas de Moisés (é o dedo de Deus), e pedem ao Faraó deixar os hebreus sair do Egito. O coração do Faraó é endurecido. Mateus nos apresenta um rei Herodes mal intencionado, insensível à vida dos recém nascidos que ele vai mandar matar. O Faraó também tinha decretado a morte dos meninos hebreus (Êxodo 1,15). Como Moisés, Jesus conseguirá fugir da ira do rei e escapar assim da morte. E ele irá para o Egito. Mas no mesmo tempo o episodio nos remete já ao fim da vida de Jesus, quando será preso e condenado à morte. Então será utilizada a mirra para embalsamar o corpo (João 19, 39).
Vários são os caminhos que levam à pessoa do Salvador. Os escribas e doutores da Lei, pelas Escrituras, chegam a conhecer o local do nascimento (Mateus 2, 4-6). Os Magos seguem uma estrela, pois a função deles era justamente de observar os astros para definir a conduta a ser tomada pelos grandes, quer que seja no governo dos seus reinados, quer que seja nas guerras, quer que seja em assuntos particulares. Seria uma estela que haveria de indicar o líder que se levantaria do meio de Israel, predisse um outro mago, Balaão (Livro dos Números 24,17). O Messias é reconhecido e adorado pelos Magos, mas rejeitado por seu povo na pessoa dos seus líderes. Eles foram preparados durante séculos pelas palavras proféticas. Mas na hora não são capazes de reconhecer o enviado de Deus (João 1, 10-11). É esta rejeição que vai percorrer toda a vida pública de Jesus.
Tem vários caminhos para chegar até o Salvador, mas um só é o caminho de volta. Este caminho é "outro caminho..." (Mateus 2, 12). Quem encontrou a Jesus não pode mais trilhar o mesmo caminho, sua vida se transformou, é a conversão. Herodes e os escribas não foram até Jesus e, por isso, continuam no caminho da busca do poder, da violência e da dominação.
Assim a história de Mateus , narrando a adoração dos Magos, quer nos confirmar que o recém nascido, Jesus de Nazaré, é o novo Moisés, o Libertador definitivo, porque vem nos libertar a todas e todos e de tudo o que nos amarra.
A estrela conduz a Jesus e o encontro com o Salvador transforma a vida. Que a estrela possa sempre nos conduzir em nossos caminhos e transformar nossas vidas, identificando-nos ao Filho de Deus, que veio para que cada uma e cada um de nós se torne filhas e filhos de Deus,