P Á S C O A D A R E S S U R R E I Ç Ã O
“Nossa Páscoa, Cristo, foi imolada. Celebremos, portanto, a festa,
não com velho fermento, nem com fermento de malícia
perversidade, mas com pães ázimos: na pureza e na verdade”
(1ª aos Coríntios 5, 7-8).
Pelos anos 1250 a.C. ocorreu realmente a fuga (Êxodo 14, 5) de um grupo de escravos (hapirus=hebreus) do Egito (Êxodo 12, 38). Era naquela época um fato muito comum. Não foi o primeiro grupo nem o último que conseguiu assim se libertar da escravidão egípcia. Mas para esse grupo foi o início de uma longa história que seria a história de um Povo e por isso o fato se tornou o acontecimento fundador desse Povo, Israel. O que aconteceu exatamente ninguém sabe dizer, pois os textos que possuímos são vários e diferentes e são frutos de uma releitura constante, feita, sobretudo, num contexto litúrgico. Mas, o que nos importa é o significado que esse fato adquiriu para a vida de tantas gerações.
1. Um fato:
Podemos ler Êxodo 14, 29-31.
Páscoa é a Passagem pelas águas do Mar dos Juncos: “Ele jogou no mar cavalos e cavalheiros.” (Êxodo 15, 21).
Abriu-se um caminho de libertação: da casa da servidão para a terra onde corre o leite e o mel.
2. Significado Teológico:
Essa passagem das águas foi lida, interpretada, como a PASSAGEM DE DEUS na vida desse grupo que conseguiu se libertar (Êxodo 12, 12). Deus-Javé passou e libertou o seu Povo. Foi a passagem de Deus na História desses escravos, passagem que os levou da escravidão para a libertação: Deus interveio na História e se deu a conhecer como o Deus que liberta (Êxodo 3, 7-15; 15, 2-3).
Esse ato de Deus funda o Povo e fundamenta a sua fé (Deuteronômio 26, 5-11). Em qualquer época e em qualquer lugar o Êxodo dos antepassados continua o Êxodo dos Israelitas (no texto passa-se do “eles” para o “nós”). Esse fato alimenta a sua oração e liturgia (Êxodo 15, 1-21; Deuteronômio 16,1), como alimenta também a sua fé. Pois será este fato que será constantemente relido à luz dos novos acontecimentos da História. Vejamos o Segundo Isaías como ele descreve a volta do Exílio da Babilônia como um novo Êxodo (Isaías 43,16-21). A vocação de Elias se dá nos mesmos termos do que a vocação de Moisés (enfrenta o rei, lança praga, foge para o outro lado da torrente, é alimentado de pão e água, até voltar para profetizar...1º livro dos Reis 17, 1-6)
Podemos ler e meditar nessa mesma perspectiva o Salmo 118.
3. Significado Ético:
A Fé exige um comportamento, uma ética. Á passagem de Deus na sua História, o Povo vai responder pelo seu compromisso de vida. Ele vai PASSAR A SERVIR À DEUS.
Da servidão ao serviço: eis a grande transformação na vida desses escravos, é o sinal que tinha sido dado a Moisés no Monte Horeb (Êxodo 3, 12).
Israel passa a ser um Povo consagrado a Deus, passa a ser o Povo do Deus que liberta. É um povo consagrado para esse serviço (Êxodo 13, 11-16; 19, 3-8). A consagração de todo o Povo passa pela consagração dos primogênitos. Numa sociedade patriarcal, se o primeiro dos homens é consagrado a Deus, significa que todos os membros da família, do clã, da tribo, são consagrados a Deus.
Podemos nesse sentido ler e meditar os Salmos 15 e 112.
È nessa perspectiva também que temos que reler o Decálogo: a Fé num Deus que liberta e não há outro, gera a relação fraterna entre os membros deste mesmo Povo: Deus do Povo, Povo de Deus.
4. A Nova Páscoa:
Na sua primeira carta aos Coríntios, Paulo nos afirma que tudo o que aconteceu na Páscoa dos Hebreus é para nós “tipo”, ou seja, exemplo (1º Coríntios 10, 1-6 e 11).
Mas agora a nossa Páscoa não é mais um fato e sim uma pessoa: Jesus de Nazaré. Ele realiza a verdadeira Páscoa, plena e definitiva, Ele é a nossa Páscoa ( 1º Coríntios 5, 7-8).
Pela sua morte e ressurreição Jesus se tornou a única Páscoa capaz de realizar em plenitude o que a primeira anunciava. (João 13, 1; Lucas 9, 30-31; Colossenses 1, 13).
Jesus provoca uma nova passagem da morte para a vida, da escravidão para a liberdade, mas não é mais para um grupo e sim para a humanidade toda, não é mais a passagem de um lugar para o outro e sim de uma situação para outra em qualquer terra que seja. É a universalização da Páscoa: transformar a vida, a pessoa, o mundo... (João 2, 1-12 e 2, 13-22).
Pela sua prática (atos e palavras) Jesus revelou a libertação do Pai. Deus passou de novo libertando: “Ele passou no meio de nós fazendo o bem” (Atos 10, 38).Também nos convidou a entrar no seu caminho (andar=ética) a viver como dava o exemplo (Lucas 9, 22-26).
5. A nossa Páscoa, fonte de nossa espiritualidade:
Como os Hebreus reconheciam a Páscoa de Deus no Êxodo, assim nós reconhecemos a Páscoa de Deus na pessoa de Jesus Cristo. Deus passou no meio de nós, libertando e isso nos convoca para uma vida digna dessa Boa Nova que recebemos. A Páscoa de Jesus fundamenta a nossa fé e exige de nós uma ética.
Daí nasce toda uma espiritualidade pascal ou êxodal. Esta espiritualidade é dinâmica (os discípulos de Emaús estão a caminho; Jesus, segundo Lucas, empreendeu uma grande caminhada até Jerusalém, lugar de sua Páscoa (Lucas 9, 51) que é a sua assunção ou Êxodo (Lucas 9, 30-31: “eles falavam do seu Êxodo”- texto grego-). Encontrar a Cristo é começar a se movimentar como o cego de Jericó: “No mesmo instante ele recuperou a vista e seguia-o no caminho” (Marcos 10, 52). Mas para ressuscitar com Ele é preciso retomar o caminho desde o início (voltar à Galiléia: Marcos 16, 7) e subir até Jerusalém, até o Calvário da Cruz. Espiritualidade da Cruz.
Ela é uma espiritualidade vivencial, ela celebra a presença do Deus Libertador na História, nos acontecimentos pessoais e comunitários. Ela expressa a experiência transformadora que vive toda pessoa que encontra o Ressuscitado na sua vida. “Já não sou eu que vivo, mas o Cristo que vive em mim. Minha vida presente na carne, eu a vivo pela fé no Filho de Deus, que me amou e se entregou a si mesmo por mim” (Gálatas 2, 20). É a força da Ressurreição em nós (Filipenses 3,10).
Ela é missionária, pois leva ao testemunho da Ressurreição a partir da experiência pessoal do encontro com o Vivente: “Vi o Senhor” (João 20, 18), “Nós o reconhecemos à fração do pão” (Lucas 24, 35). A mesma experiência teve Paulo de Tarso, justamente no caminho de Damasco (Gálatas 1, 15-17), o Ressuscitado lhe foi revelado (Atos dos Apóstolos 9, 3-5). Foi a Páscoa em sua vida: ficou cego “três dias” (Atos 9, 9). Jesus passou na sua vida, enquanto estava na estrada, e foi a mudança radical do seu comportamento.
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Pelo Batismo nos identificamos ao Senhor morte e ressuscitado (Romanos 6, 3-11).
É a ressurreição que é o fundamento de nossa fé (1º Coríntios 15, 3-8; a proclamação da nossa fé pelo “creio”), e alimenta a nossa oração e nossa liturgia ( na vigília da Páscoa renovamos as promessas do nosso Batismo)
Pela fé na ressurreição entramos numa dinâmica de transformação (Filipenses 3, 11-14).
Paulo convida os Filipenses a ter uma vida digna do Evangelho (Filipenses 1, 27).
A vida religiosa é a radicalização da vivência batismal. É uma consagração a serviço de Deus e do seu Povo. Ficamos livres de tudo para servir. Podemos reler nessa perspectiva o nosso engajamento na vida religiosa.
E hoje? Como Deus está presente na História? Como Ele está libertando? Como esse olhar sobre a realidade me ajuda a proclamar a minha fé e alimentar a minha oração? Como estou à serviço desse mistério de morte e ressurreição? Como este mistério atua em minha vida, na vida da nossa comunidade?
“Assim, irmãos bem-amados, sejam firmes e inabaláveis (é a fé), façam constantes progressos no serviço do Senhor (é a ética), certos de que sua fadiga não é vã no Senhor” (porque Ele está vivo e nos conduz à vida) (1º Coríntios 15, 58).
sábado, 23 de abril de 2011
FELIZ PÁSCOA!
Amigas e Amigos,
Desejo a todas e todos uma Feliz Páscoa da Ressurreição!
Que este momento tão importante na nossa vida de seguidores de Cristo Jesus
Seja momento de renovação: jogar bem longe o homem velho e revestir o homem novo!
"Nossa Páscoa, Cristo, foi imolado. Celebremos, portanto, a festa, não com fermento velho, nem com
fermento de malícia e perversidade, mas com pães ázimos: na pureza e na verdade"
(1a aos Coríntios, 5, 7-8)
Desejo a todas e todos uma Feliz Páscoa da Ressurreição!
Que este momento tão importante na nossa vida de seguidores de Cristo Jesus
Seja momento de renovação: jogar bem longe o homem velho e revestir o homem novo!
"Nossa Páscoa, Cristo, foi imolado. Celebremos, portanto, a festa, não com fermento velho, nem com
fermento de malícia e perversidade, mas com pães ázimos: na pureza e na verdade"
(1a aos Coríntios, 5, 7-8)
FELIZ PÁSCOA!
“Jesus lhe diz: mulher porque choras? A quem procuras?
Então Jesus disse: MARIA!
Ela respondeu: MESTRE!
E Maria Madalena foi anunciar aos discípulos:
EU VI O SENHOR!” (João 20, 15 e 18).
Queridas irmãs amigas e queridos irmãos amigos,
Que a luz do Ressuscitado ilumine suas vidas, que ela seja força na caminhada, certos que Ele está sempre conosco, podemos anunciar a Boa Nova: Eu também vi o Senhor!
FELIZ PÁSCOA DA RESSURREIÇÃO
Pe. Francisco OMI
sexta-feira, 15 de abril de 2011
SEMANA SANTA E ESCRITURAS.
SEMANA SANTA, PASSO A PASSO COM A BÍBLIA. A Semana Santa nos faz reviver na nossa realidade de hoje, lá onde nós estamos, os últimos dias da vida terrestre de Jesus. São os dias em que se realizou plenamente a nossa salvação. “Hosana ao Filho de Davi...” (Mateus 21, 9). A Semana santa abre-se com o domingo dos Ramos. Nós lembramos a entrada de Jesus na cidade de Jerusalém. Todos o aclamam, reconhecendo-o como Messias (Filho de Davi) e pedem que ele “dê a salvação” (Hosana) Para o povo ele vem libertar do jugo dos romanos. Ninguém repara que Jesus fez questão de entrar montado num jumentinho segundo a profecia de Zacarias 9, 9. Ele não monta um cavalo como os reis, pois ele não um chefe de guerra, um libertador militar. Ele vem salvar a humanidade do seu pecado: “Eis o Cordeiro de Deus, eis aquele que tira o pecado do mundo” (João 1, 29). O pecado que vicia toda a organização da sociedade, Jesus vem propor outro projeto de sociedade que ele chama “Reino do Pai”. Decepcionado o povo, na sexta feira, gritará “Crucifica-o” e lhe preferirá um subversivo, um sicário (homem que age com punhal na mão) Barrabás, que pelo menos luta contra o opressor romano. Que tipo de Libertador nós queremos? Qual é o pecado do mundo hoje do qual o Cordeiro deve nos libertar? “Desejei ardentemente comer esta páscoa com vocês antes de sofrer...” (Lucas 22, 15). Na Quinta feira Santa lembramos a Última Ceia que Jesus quis tomar com os seus discípulos. É a ceia que permanecerá no seio das comunidades até hoje, para lembrar (fazer memória) da vida, da prática, da mensagem de Jesus. Como um bom pastor ele veio dar a sua vida para que todos tenham vida (João 10, 10). Por isso a última Ceia antecipa o dom que Jesus vai fazer de sua vida. Cada Eucaristia renova para nós este gesto de amor “prova de amor maior não há que doar a vida pelo irmão...” (João 15, 13). Segundo o evangelista Lucas, é na Ceia que Jesus afirma que: “Quem é o maior: o que está na mesa ou aquele que serve? Não é aquele que está na mesa? Eu, porém, estou no meio de vocês como aquele que serve” (Lucas 22, 27). Por isso o evangelista João não nos relatará a instituição da Eucaristia, mas o “lava pés”, expressão máxima do que é dar a sua vida. No fim do seu gesto de serviço Jesus nos pede de fazer o mesmo: “Lhes dei o exemplo para que, como eu fiz, também vocês façam” (João 13, 15). Mas a última Ceia é também memória da primeira que se deu na relva verde da Galiléiana época da Páscoa dos Judeus (João 6, 4), quando Jesus repartiu os cinco pães e os dois peixes (Marcos 6, 38-39). Nossas celebrações eucarísticas lembram realmente o que foi a primeira e a última Ceia? Como eu vivo no dia a dia a Eucaristia celebrada? Como me sinto comprometido a fazer como Jesus fez (partilha, lavar os pés, dar a vida)? Na noite de quinta para sexta nós vigiamos junto com Jesus no Jardim das Oliveiras. “Vigiem! (Mateus 24, 42); Permanecei aqui e vigiem comigo (Mateus 26, 38); Não foram capazes de vigiar comigo por uma hora!” (Mateus 26, 40). “Não quis saber outra coisa entre vocês a não ser Jesus Cristo, e Jesus Cristo crucificado “(1ª aos Coríntios 2, 2). “Quanto a mim não aconteça gloriar-me senão na cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo...” (Gálatas 6, 14). A Sexta feira Santa nos dá de acompanhar Jesus nos seus sofrimentos, atualizando esta Paixão do Senhor para nós hoje, nos solidarizando com todos os sofredores de hoje: vítimas da violência, da guerra, do ódio, das calamidades, da fome e da injustiça social. Ao contemplar o Crucificado, contemplamos todos os Crucificados de hoje. Quantos inocentes são vítimas do sistema social no qual vivemos, eles carregam o pecado da sociedade injusta e esmagadora. Eles são os cordeiros de hoje: todos os condenam, mas na realidade são os nossos pecados que eles carregam: “Desprezado, não fazíamos caso nenhum dele. No entanto, eram as nossas enfermidades que ele levava sobre si, as nossas dores que ele carregava” (Isaías 53, 4). A Cruz, instrumento do mais terrível suplício tornou-se, no Calvário, o sinal do maior amor que se conheceu nesta terra. Por isso a Cruz se tornou o sinal da vida cristã: doação total de si por amor, como Jesus. Que sentido tem a cruz na minha vida? Ao ver uma cruz o que penso, o que faço, mexe em minha vida? Sábado Santo é dia de espera. “Passado o sábado, Maria Madalena e Maria, mãe de Tiago, e Salomé compraram aromas para ungi-lo” (Marcos 16, 1). O que não pode ser feito no sábado, as mulheres vão fazê-lo no dia seguinte: ungir o corpo do Senhor, pois ele está bem morto! Nós sabemos que não foi bem assim que terminou a história, por isso é importante nos prepararmos ao ressurgir à VIDA. Esta preparação culmina com a Vigília da Páscoa. Naquela noite escutamos de novo as Escrituras que nos lembram os grandes momentos da História da Salvação (Criação, libertação...). Nós reafirmamos a nossa vontade de seguir a Jesus, renovando as promessas do nosso Batismo (Romanos 6, 3 e 4; Colossenses 3, 1-4)). Nós irrompemos em cantos de louvor e glória e acabamos celebrando a Eucaristia pela qual fazemos memória de toda esta semana e “O reconhecemos vivo à fração do pão” (Lucas 24, 35). ALELUIA! (Deus seja louvado): a Vida venceu a morte, porque o amor é mais forte do que a morte (Cântico dos Cânticos 8, 6). “Porque procuram entre os mortos Aquele que está vivo. Ele não está aqui!” (Lucas 5-6). “Eu vi o Senhor!” (João 20, 18). Pela fé e pelo amor Jesus se dá a ver. A Ressurreição não é provada pela ciência, mas é ato de fé e de amor. Abrem-se os olhos dos que crêem: “Felizes os que não viram e creram” (João 20, 30). “Então os seus olhos se abriram e o reconheceram na fração do pão” (Lucas 24, 31). E nós hoje como reconhecemos a presença de Jesus na nossa vida? Na vida dos que estão perto de nós? Nos acontecimentos do dia a dia? Nossa fé na Ressurreição se fundamenta no testemunho dos primeiros discípulos e discípulas. É a fé que recebemos da Comunidade eclesial e que transmitimos ao anunciar a Boa Nova: “Cristo morreu por nossos pecados, segundo as Escrituras. Foi sepultado, ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras. Apareceu a Cefas, e depois aos Doze. Em seguida apareceu a mais de quinhentos irmãos de uma só vez, a maioria dos quais ainda vive, enquanto alguns já adormeceram. Posteriormente, apareceu a Tiago, e, depois, a todos os Apóstolos. Em último lugar, apareceu também a mim como a um abortivo” (1ª aos Coríntios 15, 3-8). “Nossa Páscoa, Cristo, foi imolada. Celebremos, portanto, a festa, não com velho fermento, nem com fermento de malícia e perversidade, mas com pães ázimos: na pureza e na verdade” (1ª aos Coríntios 5, 7-8).
terça-feira, 8 de março de 2011
Quaresma: tempo de conversão.
Quaresma: Eis o tempo de conversão...
Cada ano a Liturgia da Igreja nos dá de reviver, atualizar, na realidade nossa, os principais momentos da História da Salvação. Assim com o tempo de Advento revivemos a espera do Messias junto com os profetas e os crentes fiéis ao Senhor, que esperam a Salvação-Redenção. Passamos depois a lembrar os primeiros momentos de vida do Salvador, Jesus de Nazaré: sua encarnação, e, o que costumamos chamar a infância de Jesus até chegar aos atos que abrem a sua vida pública: o Batismo por João nas águas do rio Jordão e as Tentações no deserto. Então vem o tempo da Quaresma.
O número 40 nas Escrituras Sagradas tem um simbolismo de “tempo completo, tempo suficiente para que se realize uma ação importante”. Assim o Dilúvio durou quarenta dias e quarenta noites (Gênesis 7, 12). Foi o tempo necessário e suficiente para fazer desaparecer a criação primordial (Gênesis 6, 7) e aparecer uma nova criação (Gênesis 9, 1-17; comparar com Gênesis 1, 26-31). Será o tempo necessário também para os hebreus, grupo liberto da casa da servidão, passarem (Páscoa) a ser Povo de Deus no estabelecimento de uma nova aliança (Êxodo 19, 2-8).
Será necessário que Moisés passe quarenta dias e quarenta noites na montanha (Êxodo 24. 18) para receber todas as instruções sobre o santuário e mais tarde para se encontrar com Deus face a face, como um amigo falando ao seu amigo e escrever de novo as tábuas da Lei (Êxodo 33, 11 e 34, 28).
Foi também o tempo necessário para o Profeta Elias se encontrar com deus no Monte Horeb e ser renovado na sua vocação profética (1º livros dos Reis 19, 8). O Profeta Jonas adverte aos Ninivitas que eles têm quarenta dias para se converterem (Jonas 3, 4).
Depois de quarenta dias e quarenta noites no deserto, Jesus está pronto par assumir a sua missão (Mateus 4, 1-2). Quarenta dias no deserto abrem a vida pública de Jesus, quarenta dias será também o prazo entre a Ressurreição e a Ascensão (Atos 1, 3) para encerrar o tempo do seu ministério na terra, a fim de dar aos seus discípulos provas incontestáveis de sua Ressurreição.
A Quaresma é o tempo favorável para a conversão. É o tempo de arrependimento e de penitência, tempo pelo qual podemos ressurgir como novas criaturas. Tempo que nos permite de voltar a ser membro fiel do Povo de Deus, saindo da escravidão do pecado para uma vida nova no Espírito do Senhor Ressuscitado, afinal reencontrar o primeiro amor do nosso Batismo (Romanos 6, 3-4). E assim retomar com generosidade o nosso compromisso missionário de anunciar pelo testemunho de vida o Reino do Pai.
Na Quaresma somos convidados também a nos preparar para encontrar o nosso Deus e Pai, ouvir de novo o seu Nome: “Javé, Javé, Deus de compaixão e de piedade, cheio de amor e fidelidade” (Êxodo 34, 6). Na Quarta Feira das Cinzas, pela leitura do Santo Evangelho, nos será proposto três caminhos para seguir a Jesus e ir com ele para junto do Pai: o jejum, a oração e a esmola. Jejuar nos diz o Profeta Isaias é o seguinte: “Por acaso não consiste nisto o jejum que eu escolhi: em romper os grilhões da iniqüidade, solta as ataduras do jugo, por em liberdade os oprimidos. Não consiste em repartir o teu pão com o faminto, em recolheres em tua casa os pobres desabrigados, em vestires aquele que tu vês nu e em não te esconderes daquele que é a tua carne...” (Isaías 58, 1-7). Jejuar é se abster de tudo o que pode prejudicar o irmão ou a irmã, é renunciar a atos que humilham, não respeitam a dignidade dos outros. A oração é este momento reservado de face a face com o Pai, como Jesus se retirando em lugar deserto para orar (Marcos 1, 37). Mateus nos aconselha nos retirar na intimidade do nosso coração. Viver com Deus ao ponto de chegar a uma unificação de vida como o Apóstolo Paulo: “Já não sou eu que vivo, mas é Cristo que vive em mim” (Gálatas 2, 20). Viver na intimidade do nosso Deus, escutando a sua Palavra como discípulo autêntico: “De manhã em manhã ele me desperta, sim, desperta o meu ouvido para que eu ouça como os discípulos” (Isaías 50, 4). Por isso é muito bom dedicar uns momentos à leitura das Sagradas Escrituras. A esmola não é aquilo que me sobra como faziam os ricos no Templo de Jerusalém, e sim aquilo que me é necessário, mas que eu divido com quem precisa como a viúva que depositou no cofre do Templo tudo o que ela tinha (Marcos 12, 41-44), ou com a viúva de Sarepta que repartiu o que lhe restava com o Profeta Elias (1º livro dos Reis 17, 12-16).
Percebemos que o jejum, a oração e a esmola são a resposta ás três tentações de Jesus no deserto. Tentações essas que estão constantemente presentes em nossa vidas: a sede de possuir, o consumismo, a orção-adoração em vista de ganhar alguma coisa, de até exigir de Deus, o egoísmo, que quer atrair sempre todas as atenções sobre a minha pessoa sem olhar as necessidades dos outros, concentrar tudo em mim mesmo sem repartir o que eu tenho.
Que nesta Quaresma possamos viver segundo o profundo sentido que trazem estes quarenta dias e quarenta noites: uma preparação para uma renovação de nossa vida de batizado, discípulo e discípula do Senhor Ressuscitado.
Cada ano a Liturgia da Igreja nos dá de reviver, atualizar, na realidade nossa, os principais momentos da História da Salvação. Assim com o tempo de Advento revivemos a espera do Messias junto com os profetas e os crentes fiéis ao Senhor, que esperam a Salvação-Redenção. Passamos depois a lembrar os primeiros momentos de vida do Salvador, Jesus de Nazaré: sua encarnação, e, o que costumamos chamar a infância de Jesus até chegar aos atos que abrem a sua vida pública: o Batismo por João nas águas do rio Jordão e as Tentações no deserto. Então vem o tempo da Quaresma.
O número 40 nas Escrituras Sagradas tem um simbolismo de “tempo completo, tempo suficiente para que se realize uma ação importante”. Assim o Dilúvio durou quarenta dias e quarenta noites (Gênesis 7, 12). Foi o tempo necessário e suficiente para fazer desaparecer a criação primordial (Gênesis 6, 7) e aparecer uma nova criação (Gênesis 9, 1-17; comparar com Gênesis 1, 26-31). Será o tempo necessário também para os hebreus, grupo liberto da casa da servidão, passarem (Páscoa) a ser Povo de Deus no estabelecimento de uma nova aliança (Êxodo 19, 2-8).
Será necessário que Moisés passe quarenta dias e quarenta noites na montanha (Êxodo 24. 18) para receber todas as instruções sobre o santuário e mais tarde para se encontrar com Deus face a face, como um amigo falando ao seu amigo e escrever de novo as tábuas da Lei (Êxodo 33, 11 e 34, 28).
Foi também o tempo necessário para o Profeta Elias se encontrar com deus no Monte Horeb e ser renovado na sua vocação profética (1º livros dos Reis 19, 8). O Profeta Jonas adverte aos Ninivitas que eles têm quarenta dias para se converterem (Jonas 3, 4).
Depois de quarenta dias e quarenta noites no deserto, Jesus está pronto par assumir a sua missão (Mateus 4, 1-2). Quarenta dias no deserto abrem a vida pública de Jesus, quarenta dias será também o prazo entre a Ressurreição e a Ascensão (Atos 1, 3) para encerrar o tempo do seu ministério na terra, a fim de dar aos seus discípulos provas incontestáveis de sua Ressurreição.
A Quaresma é o tempo favorável para a conversão. É o tempo de arrependimento e de penitência, tempo pelo qual podemos ressurgir como novas criaturas. Tempo que nos permite de voltar a ser membro fiel do Povo de Deus, saindo da escravidão do pecado para uma vida nova no Espírito do Senhor Ressuscitado, afinal reencontrar o primeiro amor do nosso Batismo (Romanos 6, 3-4). E assim retomar com generosidade o nosso compromisso missionário de anunciar pelo testemunho de vida o Reino do Pai.
Na Quaresma somos convidados também a nos preparar para encontrar o nosso Deus e Pai, ouvir de novo o seu Nome: “Javé, Javé, Deus de compaixão e de piedade, cheio de amor e fidelidade” (Êxodo 34, 6). Na Quarta Feira das Cinzas, pela leitura do Santo Evangelho, nos será proposto três caminhos para seguir a Jesus e ir com ele para junto do Pai: o jejum, a oração e a esmola. Jejuar nos diz o Profeta Isaias é o seguinte: “Por acaso não consiste nisto o jejum que eu escolhi: em romper os grilhões da iniqüidade, solta as ataduras do jugo, por em liberdade os oprimidos. Não consiste em repartir o teu pão com o faminto, em recolheres em tua casa os pobres desabrigados, em vestires aquele que tu vês nu e em não te esconderes daquele que é a tua carne...” (Isaías 58, 1-7). Jejuar é se abster de tudo o que pode prejudicar o irmão ou a irmã, é renunciar a atos que humilham, não respeitam a dignidade dos outros. A oração é este momento reservado de face a face com o Pai, como Jesus se retirando em lugar deserto para orar (Marcos 1, 37). Mateus nos aconselha nos retirar na intimidade do nosso coração. Viver com Deus ao ponto de chegar a uma unificação de vida como o Apóstolo Paulo: “Já não sou eu que vivo, mas é Cristo que vive em mim” (Gálatas 2, 20). Viver na intimidade do nosso Deus, escutando a sua Palavra como discípulo autêntico: “De manhã em manhã ele me desperta, sim, desperta o meu ouvido para que eu ouça como os discípulos” (Isaías 50, 4). Por isso é muito bom dedicar uns momentos à leitura das Sagradas Escrituras. A esmola não é aquilo que me sobra como faziam os ricos no Templo de Jerusalém, e sim aquilo que me é necessário, mas que eu divido com quem precisa como a viúva que depositou no cofre do Templo tudo o que ela tinha (Marcos 12, 41-44), ou com a viúva de Sarepta que repartiu o que lhe restava com o Profeta Elias (1º livro dos Reis 17, 12-16).
Percebemos que o jejum, a oração e a esmola são a resposta ás três tentações de Jesus no deserto. Tentações essas que estão constantemente presentes em nossa vidas: a sede de possuir, o consumismo, a orção-adoração em vista de ganhar alguma coisa, de até exigir de Deus, o egoísmo, que quer atrair sempre todas as atenções sobre a minha pessoa sem olhar as necessidades dos outros, concentrar tudo em mim mesmo sem repartir o que eu tenho.
Que nesta Quaresma possamos viver segundo o profundo sentido que trazem estes quarenta dias e quarenta noites: uma preparação para uma renovação de nossa vida de batizado, discípulo e discípula do Senhor Ressuscitado.
sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011
EIS A TUA MÃE 3
Eis a tua mãe (3ª parte)
Em Caná da Galiléia, numa festa de bodas, Jesus está presente entre os convidados assim como a sua mãe. Diante da falta de vinho, a mãe de Jesus intervém junto ao seu Filho. Mas estamos diante de um diálogo de dois níveis: ao nível pragmático trata-se de vinho para a alegria dos convidados, ao nível mais profundo trata-se de um anúncio da Nova Aliança que vem chegando com a presença de Jesus. Assim interpretamos o convite da mãe de Jesus de “fazer tudo o que Ele disser”.
Vamos continuar o nosso aprofundamento do texto a partir do capítulo 2, versículo 6.
1.8 Os jarros: tem lá seis (6) jarros muito grandes, pois João nos especifica que podem conter até três medidas, ou seja, 40 litros cada um. Mas o que interessa aqui é que são seis. Ora sabemos que na simbólica dos números na linguagem bíblica 6 é o número da imperfeição. Com o peso que elas têm, pois são de pedra, não deve ser fácil manejá-las. Elas devem permanecer onde estão, ficam numa posição estática. Mas a pedra nos lembra também o que o Profeta Ezequiel dizia dos Israelitas: “Dar-vos-ei um coração novo, porei no vosso íntimo um espírito novo, tirarei do vosso peito o coração de pedra e vos darei um coração de carne” (Ezequiel 36, 26). Os jarros estão vazios.
Estes jarros de pedra serviam para as purificações dos Judeus. Nós sabemos quanto os Judeus, de modo especial os Fariseus, cuidavam destas purificações para se manter irrepreensíveis segundo a Lei. Esta Lei que foi dada para a vida, tornou-se um instrumento de legalismo, incapaz de trazer vida e alegria ao povo. O que foi proposto no Sinai como um projeto de vida e de vida plena foi transformado numa religião dura, estática, vazia, externa, de aparências como condenará Jesus. Os jarros representam a religião judia na época de Jesus.
1.9 Agora vem a transformação trazida por Jesus, a Nova Aliança, o novo relacionamento entre Deus a Humanidade, e das pessoas entre si. Jesus manda encher os jarros. Os empregados enchem até a borda: dos jarros vai de novo jorrar a vida, e a vida em plenitude: “Eu vim para que todos tenham vida e a tenham em plenitude” (João 10, 10). Esta água que era para purificar se transforma em vinho que traz alegria, que traz um espírito novo (Ezequiel). Será do coração de Jesus aberto pela lança que jorrarão água e sangue quando será selada a Nova Aliança. Este vinho é o melhor que foi guardado até o fim, para quando chegaria “a plenitude dos tempos”. Os tempos do Messias chegaram, o Reino de Deus se abre (“os céus se abriram de novo”).
1.10 Tudo isso nos diz São João é um sinal (o primeiro dos sete que ele quis nos descrever João 20, 30). Não é um milagre e sim um sinal. Todo sinal tem um significado. O importante não é o maravilhoso que pode ser transformar água em vinho, o maravilhoso é que com Jesus de Nazaré Deus manifestou a sua glória. Estas duas palavras sinal e glória nos remetem diretamente ao livro do Êxodo: “para que eu faça os meus sinais no meio dos egípcios, e para que narres ao teu filho e ao filho do teu filho como zombei dos egípcios e quantos sinais fiz no meio deles, para que saibais que eu sou Javé” (Êxodo 10, 1-2; também 7, 3). Javé manifesta a sua presença através de sua ação: ele liberta, este será o sinal que verdadeiramente Ele É (Êxodo 3, 14-15).
A Glória de Javé é a sua própria existência, o seu ser. Portanto manifestar que ele é Javé é manifestar a sua Glória, é a manifestação do seu ser e de sua ação libertadora
O sinal das bodas de Caná revela a presença de Deus em Jesus de Nazaré. Mas é somente, por enquanto, um sinal. Quando chegar a hora a Glória de Deus se manifestará plenamente: “Deus será glorificado e o seu Enviado, Jesus Cristo será também glorificado” (João 17, 1). Por isso os intérpretes do evangelho segundo João falam do livro da “Glorificação” quando se referem ao livro da Paixão, Morte e Ressurreição. “Quando tiverdes elevado o Filho do Homem, então sabereis que EU SOU” (João 8, 28). Os discípulos souberam ler o sinal e reconheceram a presença de Deus em Jesus e “creram nele”.
1.11 Mensagem do texto: Jesus se manifesta como a presença libertadora de Deus. Ele vem para selar uma Nova e definitiva Aliança na hora da sua Glorificação, na hora do seu mistério pascal. A mãe dele nos convida a entrar neste movimento de transformação, de fazer a nossa páscoa, passagem do ritualismo e legalismo para a vida e vida em plenitude. É um apelo para nós ainda hoje nos libertar de todas as regras que nos prendem, nos aprisionam e não nos permitem viver plenamente na alegria do Espírito que liberta. “O Senhor é o Espírito, e onde se acha o Espírito do Senhor aí está a LIBERDADE” (2ª aos Coríntios 3, 17). Jesus, o Enviado do Pai, presença libertadora de Deus no meio de nós, nos leva para uma páscoa de libertação como numa festa de bodas no meio da alegria e da abundância.
No nosso próximo artigo abordaremos o segundo texto do evangelho segundo São João, apresentando a mãe de Jesus ao pé da cruz.
Em Caná da Galiléia, numa festa de bodas, Jesus está presente entre os convidados assim como a sua mãe. Diante da falta de vinho, a mãe de Jesus intervém junto ao seu Filho. Mas estamos diante de um diálogo de dois níveis: ao nível pragmático trata-se de vinho para a alegria dos convidados, ao nível mais profundo trata-se de um anúncio da Nova Aliança que vem chegando com a presença de Jesus. Assim interpretamos o convite da mãe de Jesus de “fazer tudo o que Ele disser”.
Vamos continuar o nosso aprofundamento do texto a partir do capítulo 2, versículo 6.
1.8 Os jarros: tem lá seis (6) jarros muito grandes, pois João nos especifica que podem conter até três medidas, ou seja, 40 litros cada um. Mas o que interessa aqui é que são seis. Ora sabemos que na simbólica dos números na linguagem bíblica 6 é o número da imperfeição. Com o peso que elas têm, pois são de pedra, não deve ser fácil manejá-las. Elas devem permanecer onde estão, ficam numa posição estática. Mas a pedra nos lembra também o que o Profeta Ezequiel dizia dos Israelitas: “Dar-vos-ei um coração novo, porei no vosso íntimo um espírito novo, tirarei do vosso peito o coração de pedra e vos darei um coração de carne” (Ezequiel 36, 26). Os jarros estão vazios.
Estes jarros de pedra serviam para as purificações dos Judeus. Nós sabemos quanto os Judeus, de modo especial os Fariseus, cuidavam destas purificações para se manter irrepreensíveis segundo a Lei. Esta Lei que foi dada para a vida, tornou-se um instrumento de legalismo, incapaz de trazer vida e alegria ao povo. O que foi proposto no Sinai como um projeto de vida e de vida plena foi transformado numa religião dura, estática, vazia, externa, de aparências como condenará Jesus. Os jarros representam a religião judia na época de Jesus.
1.9 Agora vem a transformação trazida por Jesus, a Nova Aliança, o novo relacionamento entre Deus a Humanidade, e das pessoas entre si. Jesus manda encher os jarros. Os empregados enchem até a borda: dos jarros vai de novo jorrar a vida, e a vida em plenitude: “Eu vim para que todos tenham vida e a tenham em plenitude” (João 10, 10). Esta água que era para purificar se transforma em vinho que traz alegria, que traz um espírito novo (Ezequiel). Será do coração de Jesus aberto pela lança que jorrarão água e sangue quando será selada a Nova Aliança. Este vinho é o melhor que foi guardado até o fim, para quando chegaria “a plenitude dos tempos”. Os tempos do Messias chegaram, o Reino de Deus se abre (“os céus se abriram de novo”).
1.10 Tudo isso nos diz São João é um sinal (o primeiro dos sete que ele quis nos descrever João 20, 30). Não é um milagre e sim um sinal. Todo sinal tem um significado. O importante não é o maravilhoso que pode ser transformar água em vinho, o maravilhoso é que com Jesus de Nazaré Deus manifestou a sua glória. Estas duas palavras sinal e glória nos remetem diretamente ao livro do Êxodo: “para que eu faça os meus sinais no meio dos egípcios, e para que narres ao teu filho e ao filho do teu filho como zombei dos egípcios e quantos sinais fiz no meio deles, para que saibais que eu sou Javé” (Êxodo 10, 1-2; também 7, 3). Javé manifesta a sua presença através de sua ação: ele liberta, este será o sinal que verdadeiramente Ele É (Êxodo 3, 14-15).
A Glória de Javé é a sua própria existência, o seu ser. Portanto manifestar que ele é Javé é manifestar a sua Glória, é a manifestação do seu ser e de sua ação libertadora
O sinal das bodas de Caná revela a presença de Deus em Jesus de Nazaré. Mas é somente, por enquanto, um sinal. Quando chegar a hora a Glória de Deus se manifestará plenamente: “Deus será glorificado e o seu Enviado, Jesus Cristo será também glorificado” (João 17, 1). Por isso os intérpretes do evangelho segundo João falam do livro da “Glorificação” quando se referem ao livro da Paixão, Morte e Ressurreição. “Quando tiverdes elevado o Filho do Homem, então sabereis que EU SOU” (João 8, 28). Os discípulos souberam ler o sinal e reconheceram a presença de Deus em Jesus e “creram nele”.
1.11 Mensagem do texto: Jesus se manifesta como a presença libertadora de Deus. Ele vem para selar uma Nova e definitiva Aliança na hora da sua Glorificação, na hora do seu mistério pascal. A mãe dele nos convida a entrar neste movimento de transformação, de fazer a nossa páscoa, passagem do ritualismo e legalismo para a vida e vida em plenitude. É um apelo para nós ainda hoje nos libertar de todas as regras que nos prendem, nos aprisionam e não nos permitem viver plenamente na alegria do Espírito que liberta. “O Senhor é o Espírito, e onde se acha o Espírito do Senhor aí está a LIBERDADE” (2ª aos Coríntios 3, 17). Jesus, o Enviado do Pai, presença libertadora de Deus no meio de nós, nos leva para uma páscoa de libertação como numa festa de bodas no meio da alegria e da abundância.
No nosso próximo artigo abordaremos o segundo texto do evangelho segundo São João, apresentando a mãe de Jesus ao pé da cruz.
EIS A TUA MÃE 2
“Eis a tua mãe” (2ª parte).
No comentário anterior (“Eis a tua mãe- 1ª parte) situamos ação que vai se desenrolar numa festa de bodas em Caná da Galiléia. Vamos agora aprofundar a parte da ação propriamente dita: a transformação da água em vinho.
1.5 A mãe de Jesus nota que há uma situação delicada entre os anfitriões da festa. Ela constata: “eles não tem mais vinho”. Já tiveram, mas não tem mais. O vinho é uma bebida de festa, ele, como diz o Salmista: “regozija o coração do homem... (e da mulher também!)” (Salmo 104, 14-15). Mas o vinho é também um símbolo muito presente nas Sagradas Escrituras. Ele é o símbolo do Espírito Santo, dos tempos messiânicos e até da Palavra de Deus e de sua Sabedoria como podemos ler em livro dos Provérbios 9, 4-6.
O profeta Isaías sonha (utopia) com uma era messiânica farta. “O Senhor Javé prepara para todos os Povos, sobre esta montanha, um banquete de carnes gordas, um banquete de vinhos finos, de carnes suculentas, de vinhos depurados” (Isaías 25, 6).
O vinho que dá Sabedoria é a Lei de Deus (sua Palavra), é a Torá pela qual ensina ao seu povo o caminho da felicidade (Deuteronômio 30, 15). Infelizmente perderam o sentido salvífico e de bem que trazia a Lei de Deus. Nós sabemos que a Lei de Deus, na época de Jesus, se tornou mero legalismo explicitado em 613 preceitos muito difíceis de praticar. Somente os Fariseus tentavam viver segundo esta regra de vida e por isso viviam separados dos outros com medo de tornarem-se impuros (não observadores de todas as regras) de lá vem o seu nome: Fariseus=Separados. A mãe de Jesus expressa na sua constatação a situação que muitos notavam. Mais adiante voltaremos a esta situação presente em outros elementos deste texto.
1.6 “O que temos a ver com isso, minha hora ainda não chegou”. Será um fim de não receber por parte de Jesus? Mas ele vai mais tarde oferecer o melhor vinho. Se o problema é falta de vinho para a festa, isso não nos compete responde Jesus. Agora o vinho, nova Lei, nova Torá, a hora dela ainda não chegou. Encontramos aqui um procedimento escriturário muito querido por João: as palavras possuem dois sentidos, um real e bem concreto e outro de nível simbólico, expressando outra realidade. Por exemplo, a água: a samaritana pensa na água do poço que todos os dias ela deve vir buscar, Jesus lhe fala de outra água que é a Palavra de Deus. Ou ainda o nascimento no qual Jesus conversa com Nicodemos, ou ainda o pão distribuído no deserto, símbolo de um pão muito mais importante, pois dá a vida plena e para sempre. Jesus não está preocupado com o vinho da festa humana, e sim com o vinho que ele vai dar pelo mistério de sua Paixão, Morte e Ressurreição, mas somente quando chegar a hora.
Esta hora é bem a hora da Glorificação como a descreve João, hora da Paixão, Morte e Ressurreição. Basta reler uns textos de João para se convencer de tal afirmação. “Antes de festa da páscoa, sabendo Jesus que chegara a sua hora de passar deste para o Pai...” (João 13, 1). “Pai chegou a hora: glorifica o teu Filho, para que teu Filho te glorifique” (João 17, 1).
1.7 “Façam tudo...” A mãe de Jesus entendeu muito bem o recado! Seu convite aos serventes da festa não é um simples convite em executar materialmente o que Jesus vai poder exigir deles. Ela os convida a entrar na economia de uma nova Aliança. De fato as palavras atribuídas á mãe de Jesus são as palavras pelas quais o Povo de Israel, ao pé do Monte Sinai, respondeu ao convite de Deus por Moisés, de selar uma aliança entre Deus e o Povo. À Moisés que em nome de Deus fez o convite para uma aliança, o Povo respondeu: “Tudo o que o Senhor Javé disse, nós o faremos” (Êxodo 19, 8).
A mãe de Jesus entendeu tão bem o significado da resposta do seu Filho, que ela mesma estará, quando chegar a hora, no pé da cruz. Mas isso fica para um aprofundamento ulterior. Num próximo artigo daremos prosseguimento á este nosso estudo de João 2, 1 a 12.
No comentário anterior (“Eis a tua mãe- 1ª parte) situamos ação que vai se desenrolar numa festa de bodas em Caná da Galiléia. Vamos agora aprofundar a parte da ação propriamente dita: a transformação da água em vinho.
1.5 A mãe de Jesus nota que há uma situação delicada entre os anfitriões da festa. Ela constata: “eles não tem mais vinho”. Já tiveram, mas não tem mais. O vinho é uma bebida de festa, ele, como diz o Salmista: “regozija o coração do homem... (e da mulher também!)” (Salmo 104, 14-15). Mas o vinho é também um símbolo muito presente nas Sagradas Escrituras. Ele é o símbolo do Espírito Santo, dos tempos messiânicos e até da Palavra de Deus e de sua Sabedoria como podemos ler em livro dos Provérbios 9, 4-6.
O profeta Isaías sonha (utopia) com uma era messiânica farta. “O Senhor Javé prepara para todos os Povos, sobre esta montanha, um banquete de carnes gordas, um banquete de vinhos finos, de carnes suculentas, de vinhos depurados” (Isaías 25, 6).
O vinho que dá Sabedoria é a Lei de Deus (sua Palavra), é a Torá pela qual ensina ao seu povo o caminho da felicidade (Deuteronômio 30, 15). Infelizmente perderam o sentido salvífico e de bem que trazia a Lei de Deus. Nós sabemos que a Lei de Deus, na época de Jesus, se tornou mero legalismo explicitado em 613 preceitos muito difíceis de praticar. Somente os Fariseus tentavam viver segundo esta regra de vida e por isso viviam separados dos outros com medo de tornarem-se impuros (não observadores de todas as regras) de lá vem o seu nome: Fariseus=Separados. A mãe de Jesus expressa na sua constatação a situação que muitos notavam. Mais adiante voltaremos a esta situação presente em outros elementos deste texto.
1.6 “O que temos a ver com isso, minha hora ainda não chegou”. Será um fim de não receber por parte de Jesus? Mas ele vai mais tarde oferecer o melhor vinho. Se o problema é falta de vinho para a festa, isso não nos compete responde Jesus. Agora o vinho, nova Lei, nova Torá, a hora dela ainda não chegou. Encontramos aqui um procedimento escriturário muito querido por João: as palavras possuem dois sentidos, um real e bem concreto e outro de nível simbólico, expressando outra realidade. Por exemplo, a água: a samaritana pensa na água do poço que todos os dias ela deve vir buscar, Jesus lhe fala de outra água que é a Palavra de Deus. Ou ainda o nascimento no qual Jesus conversa com Nicodemos, ou ainda o pão distribuído no deserto, símbolo de um pão muito mais importante, pois dá a vida plena e para sempre. Jesus não está preocupado com o vinho da festa humana, e sim com o vinho que ele vai dar pelo mistério de sua Paixão, Morte e Ressurreição, mas somente quando chegar a hora.
Esta hora é bem a hora da Glorificação como a descreve João, hora da Paixão, Morte e Ressurreição. Basta reler uns textos de João para se convencer de tal afirmação. “Antes de festa da páscoa, sabendo Jesus que chegara a sua hora de passar deste para o Pai...” (João 13, 1). “Pai chegou a hora: glorifica o teu Filho, para que teu Filho te glorifique” (João 17, 1).
1.7 “Façam tudo...” A mãe de Jesus entendeu muito bem o recado! Seu convite aos serventes da festa não é um simples convite em executar materialmente o que Jesus vai poder exigir deles. Ela os convida a entrar na economia de uma nova Aliança. De fato as palavras atribuídas á mãe de Jesus são as palavras pelas quais o Povo de Israel, ao pé do Monte Sinai, respondeu ao convite de Deus por Moisés, de selar uma aliança entre Deus e o Povo. À Moisés que em nome de Deus fez o convite para uma aliança, o Povo respondeu: “Tudo o que o Senhor Javé disse, nós o faremos” (Êxodo 19, 8).
A mãe de Jesus entendeu tão bem o significado da resposta do seu Filho, que ela mesma estará, quando chegar a hora, no pé da cruz. Mas isso fica para um aprofundamento ulterior. Num próximo artigo daremos prosseguimento á este nosso estudo de João 2, 1 a 12.
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