sexta-feira, 30 de março de 2012

SEMANA SANTA

SEMANA SANTA, PASSO A PASSO COM A BÍBLIA.

A Semana Santa nos faz reviver na nossa realidade de hoje, lá onde nós estamos, os últimos dias da vida terrestre de Jesus. São os dias em que se realizou plenamente a nossa salvação.

“Hosana ao Filho de Davi...” (Mateus 21, 9). A Semana santa abre-se com o domingo dos Ramos. Nós lembramos a entrada de Jesus na cidade de Jerusalém. Todos o aclamam, reconhecendo-o como Messias (Filho de Davi) e pedem que ele “dê a salvação” (Hosana) Para o povo ele vem libertar do jugo dos romanos. Ninguém repara que Jesus fez questão de entrar montado num jumentinho segundo a profecia de Zacarias 9, 9. Ele não monta um cavalo como os reis, pois ele não um chefe de guerra, um libertador militar. Ele vem salvar a humanidade do seu pecado: “Eis o Cordeiro de Deus, eis aquele que tira o pecado do mundo” (João 1, 29). O pecado que vicia toda a organização da sociedade, Jesus vem propor outro projeto de sociedade que ele chama “Reino do Pai”. Decepcionado o povo, na sexta feira, gritará “Crucifica-o” e lhe preferirá um subversivo, um sicário (homem que age com punhal na mão) Barrabás, que pelo menos luta contra o opressor romano. Que tipo de Libertador nós queremos? Qual é o pecado do mundo hoje do qual o Cordeiro deve nos libertar?

“Desejei ardentemente comer esta páscoa com vocês antes de sofrer...” (Lucas 22, 15). Na Quinta feira Santa lembramos a Última Ceia que Jesus quis tomar com os seus discípulos. É a ceia que permanecerá no seio das comunidades até hoje, para lembrar (fazer memória) da vida, da prática, da mensagem de Jesus. Como um bom pastor ele veio dar a sua vida para que todos tenham vida (João 10, 10). Por isso a última Ceia antecipa o dom que Jesus vai fazer de sua vida. Cada Eucaristia renova para nós este gesto de amor “prova de amor maior não há que doar a vida pelo irmão...” (João 15, 13). Segundo o evangelista Lucas, é na Ceia que Jesus afirma que: “Quem é o maior: o que está na mesa ou aquele que serve? Não é aquele que está na mesa? Eu, porém, estou no meio de vocês como aquele que serve” (Lucas 22, 27). Por isso o evangelista João não nos relatará a instituição da Eucaristia, mas o “lava pés”, expressão máxima do que é dar a sua vida. No fim do seu gesto de serviço Jesus nos pede de fazer o mesmo: “Lhes dei o exemplo para que, como eu fiz, também vocês façam” (João 13, 15). Mas a última Ceia é também memória da primeira que se deu na relva verde da Galiléiana época da Páscoa dos Judeus (João 6, 4), quando Jesus repartiu os cinco pães e os dois peixes (Marcos 6, 38-39). Nossas celebrações eucarísticas lembram realmente o que foi a primeira e a última Ceia? Como eu vivo no dia a dia a Eucaristia celebrada? Como me sinto comprometido a fazer como Jesus fez (partilha, lavar os pés, dar a vida)?

Na noite de quinta para sexta nós vigiamos junto com Jesus no Jardim das Oliveiras. “Vigiem! (Mateus 24, 42); Permanecei aqui e vigiem comigo (Mateus 26, 38); Não foram capazes de vigiar comigo por uma hora!” (Mateus 26, 40).

“Não quis saber outra coisa entre vocês a não ser Jesus Cristo, e Jesus Cristo crucificado “(1ª aos Coríntios 2, 2). “Quanto a mim não aconteça gloriar-me senão na cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo...” (Gálatas 6, 14). A Sexta feira Santa nos dá de acompanhar Jesus nos seus sofrimentos, atualizando esta Paixão do Senhor para nós hoje, nos solidarizando com todos os sofredores de hoje: vítimas da violência, da guerra, do ódio, das calamidades, da fome e da injustiça social. Ao contemplar o Crucificado, contemplamos todos os Crucificados de hoje. Quantos inocentes são vítimas do sistema social no qual vivemos, eles carregam o pecado da sociedade injusta e esmagadora. Eles são os cordeiros de hoje: todos os condenam, mas na realidade são os nossos pecados que eles carregam: “Desprezado, não fazíamos caso nenhum dele. No entanto, eram as nossas enfermidades que ele levava sobre si, as nossas dores que ele carregava” (Isaías 53, 4). A Cruz, instrumento do mais terrível suplício tornou-se, no Calvário, o sinal do maior amor que se conheceu nesta terra. Por isso a Cruz se tornou o sinal da vida cristã: doação total de si por amor, como Jesus. Que sentido tem a cruz na minha vida? Ao ver uma cruz o que penso, o que faço, mexe em minha vida?

Sábado Santo é dia de espera. “Passado o sábado, Maria Madalena e Maria, mãe de Tiago, e Salomé compraram aromas para ungi-lo” (Marcos 16, 1). O que não pode ser feito no sábado, as mulheres vão fazê-lo no dia seguinte: ungir o corpo do Senhor, pois ele está bem morto! Nós sabemos que não foi bem assim que terminou a história, por isso é importante nos prepararmos ao ressurgir à VIDA.
Esta preparação culmina com a Vigília da Páscoa. Naquela noite escutamos de novo as Escrituras que nos lembram os grandes momentos da História da Salvação (Criação, libertação...). Nós reafirmamos a nossa vontade de seguir a Jesus, renovando as promessas do nosso Batismo (Romanos 6, 3 e 4; Colossenses 3, 1-4)). Nós irrompemos em cantos de louvor e glória e acabamos celebrando a Eucaristia pela qual fazemos memória de toda esta semana e “O reconhecemos vivo à fração do pão” (Lucas 24, 35).
ALELUIA! (Deus seja louvado): a Vida venceu a morte, porque o amor é mais forte do que a morte (Cântico dos Cânticos 8, 6).

“Porque procuram entre os mortos Aquele que está vivo. Ele não está aqui!” (Lucas 5-6). “Eu vi o Senhor!” (João 20, 18). Pela fé e pelo amor Jesus se dá a ver. A Ressurreição não é provada pela ciência, mas é ato de fé e de amor. Abrem-se os olhos dos que crêem: “Felizes os que não viram e creram” (João 20, 30). “Então os seus olhos se abriram e o reconheceram na fração do pão” (Lucas 24, 31). E nós hoje como reconhecemos a presença de Jesus na nossa vida? Na vida dos que estão perto de nós? Nos acontecimentos do dia a dia?
Nossa fé na Ressurreição se fundamenta no testemunho dos primeiros discípulos e discípulas. É a fé que recebemos da Comunidade eclesial e que transmitimos ao anunciar a Boa Nova: “Cristo morreu por nossos pecados, segundo as Escrituras. Foi sepultado, ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras. Apareceu a Cefas, e depois aos Doze. Em seguida apareceu a mais de quinhentos irmãos de uma só vez, a maioria dos quais ainda vive, enquanto alguns já adormeceram. Posteriormente, apareceu a Tiago, e, depois, a todos os Apóstolos. Em último lugar, apareceu também a mim como a um abortivo” (1ª aos Coríntios 15, 3-8).
“Nossa Páscoa, Cristo, foi imolada. Celebremos, portanto, a festa, não com velho fermento, nem com fermento de malícia e perversidade, mas com pães ázimos: na pureza e na verdade” (1ª aos Coríntios 5, 7-8).

domingo, 19 de fevereiro de 2012

Saúde Pública.

"Que a saúde de difunda sobre a terra"
A Campanha da Fraternidade está voltando junto com o tempo da Quaresma. Sabemos que este tempo é tempo de conversão a partir da reflexão e da meditação da Palavra de Deus. Conversão de vida, mudança de atitudes, que partem da mudança de visão e de pensamento (metanoia). A Palavra de Deus vem iluminar o nosso pensar, o nosso sentir e nos provoca à mudanças de comportamento. Mas isso será possível somente se soubermos olhar a realidade, escutar os clamores dos sofredores.
Este ano a Campanha da Fraternidade nos convida a olhar a situação da saúde no nosso país e a escutar os gritos dos que sofrem por não ter atendimento adequado para as suas doenças. È da competência do Governo, tanto federal como estadual ou municipal, oferecer condições dignas para que todos tenham saúde ou, pelo menos, sejam atendidos nas suas dores: é a saúde pública.
Em todos os tempos a saúde pública foi defeituosa. Não é por acaso que foram fundadas tantas Congregações religiosas cujo objetivo era atender os doentes. E até hoje as Paróquias mantêm uma Pastoral da saúde com o intuito de cuidar e acompanhar de mais perto as pessoas de saúde deficiente, ajudá-las nos emaranhados administrativos. A Igreja sempre exerceu neste campo da saúde um trabalho de suplência muito valioso.
Não adiante nada descrever aqui a situação da saúde pública hoje nos nossos municípios ou localidades por menores que sejam. Quem de nós não conhece as filas do SUS, quem não já as enfrentou alta hora da madrugada. Todos nós encontramos destes postos de saúde com aparelhos quebrados ou sem os recursos básicos para os primeiros socorros.
Mas o primeiro passo para a saúde é, sem dúvida, prevenir. E isso depende em parte, de cada um de nós. Sabiamente o livro do Eclesiástico alerta: "Filho, vê o que é nocivo e não to concedas... muitos morreram por intemperança, mas aquele que se cuida prolonga a sua vida" (Eclesiástico 37, 27-31). Temos que saber nos cuidar, nos controlar. Cada um se conhece e sabe o que lhe faz bem e o que lhe faz mal. Mas como prevenir quando não se tem saneamento básico descente, quando não se tem alimentação equilibrada e suficiente a cada dia, quando a habitação é precária... Saúde envolve outros setores da vida. Aqui também a administração pública tem sua responsabilidade. À nós de saber eleger os nossos representantes e sobretudo cobrar deles no exercício do seu mandato.
Todos nós temos que nos unir para exigir os direitos à saúde, mas também para encontrar meios que permitem que a saúde se difunda por toda a terra. Ao cuidar da saúde continuamos anunciando o Reino que Jesus veio inaugurar. Ele sempre esteve preocupado com os doentes, aliviando suas dores e restaurando as vidas atingidas pela doença. Não é o caso aqui citar todos os textos do Evangelho que nos descrevem esta atenção particular de Jesus com os doentes. Pelos seus gestos como pelas suas palavras de ânimo com os doentes, Jesus anunciava o mundo novo, o Reino de Deus. O mundo novo é o mundo da vida e da vida plena, Neste mundo "não haverá mais morte, nem luto, nem clamor, e nem dor haverá mais. Na nova cidade no meio da praça, de um lado e do outro do rio, há árvores da vida que frutificam doze vezes, dando fruto a cada mês; e suas folhas servem para curar as nações" (Apocalipse 21, 4 e 22, 2).
Ao lutar por uma saúde pública eficiente estamos construindo o Reino de Deus, estamos desempenhando a nossa missão de batizados. Então, nesta Quaresma, vamos juntar os nossos esforços para alcançar uma melhor organização da saúde, vamos aprender a permanecer vigilantes nas políticas de saúde, pois é uma luta constante até que " a saúde se difunda por toda a terra"

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Em busca do Salvador

Os caminhos que levam ao Salvador.
Chegou a festa dos Reis. Hoje em dia as imagens dos Reis são colocadas no presépio desde o dia de Natal, senão antes! Mas a tradição diz que eles conseguiram alcançar o lugar onde tinha nascido "o rei dos Judeus", dias depois do nascimento e depois dos pastores. Porque? Porque a festa da Epifania foi nas Igrejas do Oriente a única festa que celebrava a vinda do Filho de Deus na carne humana: sua manifestação (Epifania). Neste dia se comemorava o nascimento de Jesus, a circuncisão, a apresentação no Templo, a adoração dos Reis Magos, o Batismo no rio Jordão e até as Bodas de Caná. Todos fatos que foram a primeira manifestação do Filho de Deus na carne.
Mateus é o único evangelista que nos apresenta esta narração da adoração dos Magos. Não é reportagem de um fato histórico, é uma narração com finalidade teológica. Na literatura hebraica este procedimento chama-se "midrash": uma história do passado que o autor retoma, interpreta e atualiza para os tempos dos seus leitores. Vamos tentar descobrir algumas destas reinterpretações.

Vamos notar logo que o evangelista fala em " uns magos", nunca falou que eram rei nem que eram três. Mas a interpretação do fato à luz das Escrituras favoreceram estes detalhes. O Salmo 72 10-11 nos fala que reis de Társis, de Sabá e Seba vem se prostrar diante do rei Messias. Quanto ao Profeta Isaías, ele também descreve a universalidade do rei Messias afirmando que os reis trazem ouro, incenso. como presentes (Isaías 60, 6). Mateus falou em "ouro, incenso e mirra". Se são três os presentes então devem ser três os Reis!
Mesmo que venham do Oriente (Região da Mesopotâmia) os Magos lembram os Magos do Egito (Êxodo 8, 15). Eles reconhecem a ação de Deus nas façanhas de Moisés (é o dedo de Deus), e pedem ao Faraó deixar os hebreus sair do Egito. O coração do Faraó é endurecido. Mateus nos apresenta um rei Herodes mal intencionado, insensível à vida dos recém nascidos que ele vai mandar matar. O Faraó também tinha decretado a morte dos meninos hebreus (Êxodo 1,15). Como Moisés, Jesus conseguirá fugir da ira do rei e escapar assim da morte. E ele irá para o Egito. Mas no mesmo tempo o episodio nos remete já ao fim da vida de Jesus, quando será preso e condenado à morte. Então será utilizada a mirra para embalsamar o corpo (João 19, 39).
Vários são os caminhos que levam à pessoa do Salvador. Os escribas e doutores da Lei, pelas Escrituras, chegam a conhecer o local do nascimento (Mateus 2, 4-6). Os Magos seguem uma estrela, pois a função deles era justamente de observar os astros para definir a conduta a ser tomada pelos grandes, quer que seja no governo dos seus reinados, quer que seja nas guerras, quer que seja em assuntos particulares. Seria uma estela que haveria de indicar o líder que se levantaria do meio de Israel, predisse um outro mago, Balaão (Livro dos Números 24,17). O Messias é reconhecido e adorado pelos Magos, mas rejeitado por seu povo na pessoa dos seus líderes. Eles foram preparados durante séculos pelas palavras proféticas. Mas na hora não são capazes de reconhecer o enviado de Deus (João 1, 10-11). É esta rejeição que vai percorrer toda a vida pública de Jesus.
Tem vários caminhos para chegar até o Salvador, mas um só é o caminho de volta. Este caminho é "outro caminho..." (Mateus 2, 12). Quem encontrou a Jesus não pode mais trilhar o mesmo caminho, sua vida se transformou, é a conversão. Herodes e os escribas não foram até Jesus e, por isso, continuam no caminho da busca do poder, da violência e da dominação.
Assim a história de Mateus , narrando a adoração dos Magos, quer nos confirmar que o recém nascido, Jesus de Nazaré, é o novo Moisés, o Libertador definitivo, porque vem nos libertar a todas e todos e de tudo o que nos amarra.
A estrela conduz a Jesus e o encontro com o Salvador transforma a vida. Que a estrela possa sempre nos conduzir em nossos caminhos e transformar nossas vidas, identificando-nos ao Filho de Deus, que veio para que cada uma e cada um de nós se torne filhas e filhos de Deus,

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

FELIZ ANO NOVO

Feliz Ano Novo!
À todas e todos que nos acompanharam neste ano no blog bíblico, desejo os meus mais cordiais votos de um ano repleto de projetos realizados. Que novos horizontes se abrem para nos renovarmos e encontrarmos entusiasmo e disposição para continuarmos o caminho de nossa vida. Que Deus abençoe a todas e todos como Aarão abençoava as filhas e os filhos de Israel:
"Que Deus te abençoe e te guarde,
Que Ele te mostre seu rosto brilhante e tenha pena de ti!
Que Deus te mostre o seu rosto e te conceda a paz!"
(Livro dos Números 6, 24-26)
Espero que nos encontraremos de novo em 2.012 no blog bíblico. Farei tudo para atualizá-lo regularmente. que Deus abençoe e nos encontre unidos na amor fraterno, Pe. Francisco Rubeaux OMI

sábado, 24 de dezembro de 2011

Encontrarão um recém-nascido deitado numa manjedoura.

NATAL: Deus entre nós, nas três manjedouras!
Ao nos comentar o anúncio do nascimento de Jesus, o evangelista Mateus explica que José teve um sonho no qual o anjo lhe pediu de não temer de tomar Maria como a sua esposa. E Mateus interpreta este fato pela profecia de Isaías: "A virgem conceberá e dará à luz um filho. ele será chamado pelo nome de Emanuel, que quer dizer: Deus está conosco" (Mateus 1, 23).
Para o evangelista o menino que vai nascer de Maria, esposa de José, será Deus mesmo entre nós. Quando Maria completou o tempo de dar à luz, ela teve que se contentar com um estábulo, pois "não havia lugar para eles dentro da casa" ((Lucas 2, 7). Deitado na manjedoura está o Deus encarnado, o Deus conosco "Emanuel". É lá no meio da pobreza que temos que procurar a presença de Deus até hoje. Os Magos foram bater na porta do palácio de Herodes, pensando que um filho de rei nasce em palácio. Foi um engano! Tiveram que ir até Belém, uma aldeia pobre, na periferia de Jerusalém. Deus está sempre à margem. ele se encontra com os mais abandonados, os excluídos da sociedade. A manjedoura de hoje é a favela, o curtiço, a rua dos sem teto e sem abrigo. Este é o lugar teológico por excelência da presença de Deus. Deus se faz um de nós, mas se insere entre os mais desfavorecidos. A presença de Deus é na manjedoura.
Mais adiante no seu livro do Evangelho, Mateus nos afirma que Jesus (Deus) está também presente no seio de sua comunidade: "Onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome eu estou aí no meio deles" (Mateus 18 20). O outro lugar da presença de Deus entre nós é a comunidade. A vida fraterna é lugar da vivência de Deus. Nós podemos chamar a comunidade de manjedoura, pois nela repousa o Deus feito pessoa humana. Ele é um dos membros da comunidade. Agora entendemos porque Jesus tanto insistiu no amor fraterno: "O meu mandamento é este: amem-se uns aos outros como eu amei vocês" (João 15, 12). São João o repetirá à vontade:" Amados, amemo-nos uns aos outros, pois o amor vem de Deus" (1a João 4, 7). Ele acrescentará também na mesma carta: "Ninguém jamais viu a Deus. Se nos amamos uns aos outros, Deus está conosco, e seu amor se realiza plenamente entre nós" (1a João 4, 12). A comunidade é como o sacrário da presença real de Deus.
Ao terminar o seu escrito, o evangelista Mateus deixa uma certeza para a missão da comunidade: "Jesus lhes disse: Eis que eu estou com vocês todos os dias até o fim do mundo" (Mateus 28, 20). O Menino deitado na manjedoura de Belém, e que continua presente no seio de sua comunidade, está presente também nos caminhos da missão. Aos que vão pelo mundo anunciar a Boa Nova e ensinar a todos os povos a se tornarem discípulos de Jesus, Ele mesmo promete a sua presença. A missão é a terceira manjedoura onde repousa o Deus misericordioso que quer ser o Pai de todos.
Afinal, contemplar o Menino na manjedoura, é um convite a entrar e a construir a comunidade fraterna dos discípulos e das discípulas, e partir para a missão de anunciar a Boa Nova de "Deus conosco"- Emanuel.
A todas e todos, amigas leitoras e amigos leitores um luminoso Natal de Paz e de Alegria. Possamos na força do Espírito do Senhor crescer como filhos e filhas de Deus que somos e irradiar a Boa Nova do "Deus conosco",

sábado, 17 de dezembro de 2011

MARIA da ESPERANÇA.

ADVENTO-MARIA

Sem dúvida nenhuma a maior e mais profunda espera foi de Maria de Nazaré. Ela esperava que um dia Deus atenderia os apelos do seu Povo por libertação, era a mística (espiritualidade dos “Pobres de Javé”, os anawim). Mas ela viveu a espera de uma mãe, durante nove meses esperando a criança nascer. Foi a espera de todas as mães até hoje. O Evangelista Lucas que mais nos fala de Maria, silenciou os sentimentos maternos de Maria na espera do nascimento do seu filho. Mas nos deu de conhecer estes sentimentos pelas palavras que ele empresta a Maria no seu hino de louvor: “Minha alma engrandece o Senhor e meu espírito exulta em Deus meu Salvador. Sim sua misericórdia perdura de geração em geração, santo é seu nome” (Lucas 1, 46 e 50).
A esperança de Maria se fundamenta na certeza que ela tem que Deus é fiel. Ele vai cumprir as suas promessas, que Ele fez desde o tempo de Abraão. E qual foi esta promessa? "Em você todas as nações da terra serão abençoadas" (Gênesis 12, 3). Ora a bênção de Deus é vida, é paz, é alegria, é abundância, é graça. É esta promessa que agora vai se realizar. A esperança de Maria está no menino que vai nascer, mas está também na certeza que a promessa de Deus vai se realizar. Aquele que vai nascer do seu seio vai trazer uma nova era de vida e de paz, revolucionando a realidade sofrida do povo empobrecido: saciar de pão os famintos, levantar os humilhados, a todos e todas provar a misericórdia divina.
O que sustenta a esperança de Maria é a sua fé na Palavra. Ela sabe que quando Deus fala, está feito (Gênesis 1, 3). Foi a esta palavra que ele deu a sua adesão no dia do Anúncio do Anjo: "Faça- se em mim segundo a tua palavra". E é esta atitude que será elogiada por Jesus diante da multidão, em resposta à mulher que se extasiava pela grandeza da mãe dele: "Mais felizes são aqueles que ouvem a Palavra de Deus e a põem em prática" (Lucas 11, 28). É a recomendação do Apóstolo Santiago na sua carta: "Sejam praticantes da Palavra e não apenas ouvintes, iludindo a si mesmos. Quem ouve a Palavra e não a pratica é como alguém que observa no espelho o rosto que tem desde o nascimento; observa-se a si mesmo e depois vai embora, esquecendo a própria aparência" (Tiago 22 e 23).
Maria vive esta tempo de espera no silêncio da contemplação. No Evangelho segundo São Lucas, Maria proclama o seu hino de louvor ao Deus fiel (Magnificat), e reabrirá a boca unicamente quando Jesus com doze anos de idade, ficará no Templo de Jerusalém, ao encontrá-lo, depois de três dias de uma busca angustiada, Maria falará de novo: "Meu filho por que você fez isso conosco?" (Lucas 2, 48). Neste intervalo de tempo Lucas só nos relata que "Maria conservava todos esses fatos e meditava sobre eles em seu coração" (Lucas 2, 19 e 2, 51).
É o silêncio contemplativo de Maria. Ele contempla o mistério de Deus que se faz próximo da humanidade, que se faz humanidade: "Ele tomou a nossa carne, se fez pessoa humana e habitou entre nós" (João 1, 14). É neste mesmo silêncio que ele contemplará o mistério da redenção na hora da paixão e morte do seu filho: "Ao pé da cruz estava a sua mãe..." (João 19, 25). Maria espera no silêncio e não no barulho e nas gritarias publicitárias.
Neste tempo de Advento são estes sentimentos que precisamos reavivar em nós: a confiança que nasce da certeza de que Deus nunca abandona o seu Povo, principalmente o seu povo empobrecido e sofrido. Deus é fiel, não falha nem falta. Temos que aprender a reconhecer os sinais que nos provam esta presença misericordiosa. Ele está no meio de nós, Ele caminha conosco, é o motivo de nossa alegria: “Alegrem-se sempre no Senhor, eu repito alegrem-se” (Filipenses 4, 4). Precisamos também nos recolher no silêncio e contemplar este mistério de nosso Deus que vem junto a nós, compartilhar nossa vida, iluminar nosso caminho da sua presença, como fez com os dois discípulos a caminho de Emaús (Lucas 24, 13-35). Pois ainda hoje é do silêncio que nasce a Palavra que salva, a Palavra que e Jesus: "Quando um silêncio profundo envolvia todas as coisas e a noite mediava o seu rápido percurso, tua Palavra onipotente lançou-se do trono real dos céus para o meio de uma terra de extermínio" (Livro da Sabedoria 18, 14). Como mãe educadora (que encaminha) que Maria nos conduz pela mão neste tempo de espera e de esperança, que ele nos ensina a contemplar a presença amorosa de Deus em nós e ao nosso redor. Então deste silêncio contemplativo e profundo nascerá o Menino que vem salvar e dar a verdadeira vida: a vida de Deus em nós.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

ADVENTO: JOÃO BATISTA

A outra pessoa que marca este tempo de Advento é João Batista, o maior entre todos os Profetas, até é mais do que um Profeta dirá Jesus e o maior entre os nascidos de mulher (Mateus 11, 11).
Ele é profeta pois vem com o espírito de Elias (Lucas 1, 16-17 e Malaquias 3, 23-24). Como Elias ele é um defensor terrível da fé em Deus e da vivência do projeto de vida, compromisso da Aliança. Como Elias ele vive no deserto, veste roupa de pelo de camelo e um cinturão de couro ao redor dos rins (Mateus 3, 4 e 2o livro dos Reis 1, 18). Ele é bem o Elias que há de voltar para anunciar a vinda do Messias segundo a tradição dos escribas, ensinada nas Sinagogas. "Porque razão os escribas dizem que é preciso que Elias venha primeiro?... Elias já veio, mas não o reconheceram" (Mateus 17, 10-13).
Se ele tem o espírito de Elias, é a missão anunciada pelo profeta Isaías que ele vem realizar: prepara os caminhos para a vinda do Senhor (Marcos 1, 2-3). Como os seus contemporâneos, ele espera também a vinda do Messias. Por isso ele prepara os corações, pregando um batismo de arrependimento, de conversão (Lucas 3, 3-4).
A conversão significa uma mudança de vida, de atitudes, de comportamentos, de relacionamentos com os demais. Mas ela deve produzir frutos: cada um, na sua condição social, tem como se converter: "Quem tiver duas túnicas reparta-as com quem não tem. Quem tiver o que comer faça o mesmo" (Lucas 3, 11). Conversão também no exercício de sua função: não extorquir, não abusar de sua autoridade para explorar, não roubar, hoje diríamos não se corromper, não se deixar subornar. Não é nenhuma novidade, mas é reencontrar o caminho do Projeto de vida que Deus quer para todos, é voltar a viver segundo a Aliança.
Ele espera também a vinda do enviado de Deus, preparando os seus caminhos, preparando os corações para acolher “Aquele que vem em nome do Senhor”. Além de anunciar a chegada próxima do Messias, ele teve a alegria de designá-lo: “Eu não o conhecia... mas agora eu vi e dou testemunho que é ele: eis o Cordeiro de Deus (João 1, 31. 34. 36). Por isso muitas vezes São João Batista é representado com um cordeiro deitado aos seus pés e estendendo o braço o seu dedo aponto para um lugar. este lugar é a pessoa de Jesus que ele reconhece como o enviado de Deus. Sua alegria se compara à alegria do amigo do esposo: “Quem tem a esposa é o esposo, mas o amigo do esposo que está presente e o ouve, é tomado de alegria à voz do esposo. Essa é a minha alegria, e ela é completa” (João 3, 29). Como amigo do esposo ele veio para apresentar a noiva ao noivo: a humanidade ao seu Senhor. ele quis preparar esta noiva-humanidade a deixando como dirá Paulo: "sem rugas nem mancha...", "toda ornamentada para o seu esposo".
Como ele pregava, ele esperava um Messias portador do fogo da purificação, pronto para derrubar o que não prestava: "A ira de Deus vem... o machado está posto à raiz das árvores... a palha vai ser queimada no fogo inextinguível!" (Mateus 3, 7.10.12). Por isso ele parece decepcionado quando da sua prisão ele manda discípulos para perguntar a Jesus: "É aquele que há de vir ou devemos esperar outro?" (Mateus 11, 3). Jesus responde pelas Escrituras citando o Profeta Isaías e lembrando assim quais seriam as obras do Messias. São estas que todos podem ver. Como Pedro, Tiago ou João, João Batista tinha também uma ideia de como seria o Messias. Mas Jesus veio de outra maneira, com misericórdia e compaixão. É o momento de nos perguntarmos: e nós que Messias esperamos ou como esperamos a sua ação hoje?
Fiel a sua missão de converter os corações, João Batista denunciava também a conduta errada de Herodes. Sabemos que por cauda disto ele foi encarcerado e que sua vida terminou sacrificado por um capricho de adolescente instigada por sua mãe ao responder a uma oferta de um rei irresponsável e bárbaro (Marcos 6, 17-29). Ele foi vítima deste mundo do qual denunciava os pecados, os comportamentos imorais e as condutas desenfreadas.
Quantos até hoje não morrem assassinados por defender o direito dos pequenos e indefesos, quantos não morrem por lutar por uma sociedade justa e fraterna. Ainda hoje é preciso preparar os caminhos do Senhor: abaixar os montes elevados (orgulho, ambição...), preencher os vales afundados (omissões, vazios...) endireitar os caminhos tortuosos (egoísmo. ganância, ódio...). João Batista continua hoje a ser a voz profética da vinda do Senhor, através de nossas vozes.