sábado, 17 de dezembro de 2011

MARIA da ESPERANÇA.

ADVENTO-MARIA

Sem dúvida nenhuma a maior e mais profunda espera foi de Maria de Nazaré. Ela esperava que um dia Deus atenderia os apelos do seu Povo por libertação, era a mística (espiritualidade dos “Pobres de Javé”, os anawim). Mas ela viveu a espera de uma mãe, durante nove meses esperando a criança nascer. Foi a espera de todas as mães até hoje. O Evangelista Lucas que mais nos fala de Maria, silenciou os sentimentos maternos de Maria na espera do nascimento do seu filho. Mas nos deu de conhecer estes sentimentos pelas palavras que ele empresta a Maria no seu hino de louvor: “Minha alma engrandece o Senhor e meu espírito exulta em Deus meu Salvador. Sim sua misericórdia perdura de geração em geração, santo é seu nome” (Lucas 1, 46 e 50).
A esperança de Maria se fundamenta na certeza que ela tem que Deus é fiel. Ele vai cumprir as suas promessas, que Ele fez desde o tempo de Abraão. E qual foi esta promessa? "Em você todas as nações da terra serão abençoadas" (Gênesis 12, 3). Ora a bênção de Deus é vida, é paz, é alegria, é abundância, é graça. É esta promessa que agora vai se realizar. A esperança de Maria está no menino que vai nascer, mas está também na certeza que a promessa de Deus vai se realizar. Aquele que vai nascer do seu seio vai trazer uma nova era de vida e de paz, revolucionando a realidade sofrida do povo empobrecido: saciar de pão os famintos, levantar os humilhados, a todos e todas provar a misericórdia divina.
O que sustenta a esperança de Maria é a sua fé na Palavra. Ela sabe que quando Deus fala, está feito (Gênesis 1, 3). Foi a esta palavra que ele deu a sua adesão no dia do Anúncio do Anjo: "Faça- se em mim segundo a tua palavra". E é esta atitude que será elogiada por Jesus diante da multidão, em resposta à mulher que se extasiava pela grandeza da mãe dele: "Mais felizes são aqueles que ouvem a Palavra de Deus e a põem em prática" (Lucas 11, 28). É a recomendação do Apóstolo Santiago na sua carta: "Sejam praticantes da Palavra e não apenas ouvintes, iludindo a si mesmos. Quem ouve a Palavra e não a pratica é como alguém que observa no espelho o rosto que tem desde o nascimento; observa-se a si mesmo e depois vai embora, esquecendo a própria aparência" (Tiago 22 e 23).
Maria vive esta tempo de espera no silêncio da contemplação. No Evangelho segundo São Lucas, Maria proclama o seu hino de louvor ao Deus fiel (Magnificat), e reabrirá a boca unicamente quando Jesus com doze anos de idade, ficará no Templo de Jerusalém, ao encontrá-lo, depois de três dias de uma busca angustiada, Maria falará de novo: "Meu filho por que você fez isso conosco?" (Lucas 2, 48). Neste intervalo de tempo Lucas só nos relata que "Maria conservava todos esses fatos e meditava sobre eles em seu coração" (Lucas 2, 19 e 2, 51).
É o silêncio contemplativo de Maria. Ele contempla o mistério de Deus que se faz próximo da humanidade, que se faz humanidade: "Ele tomou a nossa carne, se fez pessoa humana e habitou entre nós" (João 1, 14). É neste mesmo silêncio que ele contemplará o mistério da redenção na hora da paixão e morte do seu filho: "Ao pé da cruz estava a sua mãe..." (João 19, 25). Maria espera no silêncio e não no barulho e nas gritarias publicitárias.
Neste tempo de Advento são estes sentimentos que precisamos reavivar em nós: a confiança que nasce da certeza de que Deus nunca abandona o seu Povo, principalmente o seu povo empobrecido e sofrido. Deus é fiel, não falha nem falta. Temos que aprender a reconhecer os sinais que nos provam esta presença misericordiosa. Ele está no meio de nós, Ele caminha conosco, é o motivo de nossa alegria: “Alegrem-se sempre no Senhor, eu repito alegrem-se” (Filipenses 4, 4). Precisamos também nos recolher no silêncio e contemplar este mistério de nosso Deus que vem junto a nós, compartilhar nossa vida, iluminar nosso caminho da sua presença, como fez com os dois discípulos a caminho de Emaús (Lucas 24, 13-35). Pois ainda hoje é do silêncio que nasce a Palavra que salva, a Palavra que e Jesus: "Quando um silêncio profundo envolvia todas as coisas e a noite mediava o seu rápido percurso, tua Palavra onipotente lançou-se do trono real dos céus para o meio de uma terra de extermínio" (Livro da Sabedoria 18, 14). Como mãe educadora (que encaminha) que Maria nos conduz pela mão neste tempo de espera e de esperança, que ele nos ensina a contemplar a presença amorosa de Deus em nós e ao nosso redor. Então deste silêncio contemplativo e profundo nascerá o Menino que vem salvar e dar a verdadeira vida: a vida de Deus em nós.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

ADVENTO: JOÃO BATISTA

A outra pessoa que marca este tempo de Advento é João Batista, o maior entre todos os Profetas, até é mais do que um Profeta dirá Jesus e o maior entre os nascidos de mulher (Mateus 11, 11).
Ele é profeta pois vem com o espírito de Elias (Lucas 1, 16-17 e Malaquias 3, 23-24). Como Elias ele é um defensor terrível da fé em Deus e da vivência do projeto de vida, compromisso da Aliança. Como Elias ele vive no deserto, veste roupa de pelo de camelo e um cinturão de couro ao redor dos rins (Mateus 3, 4 e 2o livro dos Reis 1, 18). Ele é bem o Elias que há de voltar para anunciar a vinda do Messias segundo a tradição dos escribas, ensinada nas Sinagogas. "Porque razão os escribas dizem que é preciso que Elias venha primeiro?... Elias já veio, mas não o reconheceram" (Mateus 17, 10-13).
Se ele tem o espírito de Elias, é a missão anunciada pelo profeta Isaías que ele vem realizar: prepara os caminhos para a vinda do Senhor (Marcos 1, 2-3). Como os seus contemporâneos, ele espera também a vinda do Messias. Por isso ele prepara os corações, pregando um batismo de arrependimento, de conversão (Lucas 3, 3-4).
A conversão significa uma mudança de vida, de atitudes, de comportamentos, de relacionamentos com os demais. Mas ela deve produzir frutos: cada um, na sua condição social, tem como se converter: "Quem tiver duas túnicas reparta-as com quem não tem. Quem tiver o que comer faça o mesmo" (Lucas 3, 11). Conversão também no exercício de sua função: não extorquir, não abusar de sua autoridade para explorar, não roubar, hoje diríamos não se corromper, não se deixar subornar. Não é nenhuma novidade, mas é reencontrar o caminho do Projeto de vida que Deus quer para todos, é voltar a viver segundo a Aliança.
Ele espera também a vinda do enviado de Deus, preparando os seus caminhos, preparando os corações para acolher “Aquele que vem em nome do Senhor”. Além de anunciar a chegada próxima do Messias, ele teve a alegria de designá-lo: “Eu não o conhecia... mas agora eu vi e dou testemunho que é ele: eis o Cordeiro de Deus (João 1, 31. 34. 36). Por isso muitas vezes São João Batista é representado com um cordeiro deitado aos seus pés e estendendo o braço o seu dedo aponto para um lugar. este lugar é a pessoa de Jesus que ele reconhece como o enviado de Deus. Sua alegria se compara à alegria do amigo do esposo: “Quem tem a esposa é o esposo, mas o amigo do esposo que está presente e o ouve, é tomado de alegria à voz do esposo. Essa é a minha alegria, e ela é completa” (João 3, 29). Como amigo do esposo ele veio para apresentar a noiva ao noivo: a humanidade ao seu Senhor. ele quis preparar esta noiva-humanidade a deixando como dirá Paulo: "sem rugas nem mancha...", "toda ornamentada para o seu esposo".
Como ele pregava, ele esperava um Messias portador do fogo da purificação, pronto para derrubar o que não prestava: "A ira de Deus vem... o machado está posto à raiz das árvores... a palha vai ser queimada no fogo inextinguível!" (Mateus 3, 7.10.12). Por isso ele parece decepcionado quando da sua prisão ele manda discípulos para perguntar a Jesus: "É aquele que há de vir ou devemos esperar outro?" (Mateus 11, 3). Jesus responde pelas Escrituras citando o Profeta Isaías e lembrando assim quais seriam as obras do Messias. São estas que todos podem ver. Como Pedro, Tiago ou João, João Batista tinha também uma ideia de como seria o Messias. Mas Jesus veio de outra maneira, com misericórdia e compaixão. É o momento de nos perguntarmos: e nós que Messias esperamos ou como esperamos a sua ação hoje?
Fiel a sua missão de converter os corações, João Batista denunciava também a conduta errada de Herodes. Sabemos que por cauda disto ele foi encarcerado e que sua vida terminou sacrificado por um capricho de adolescente instigada por sua mãe ao responder a uma oferta de um rei irresponsável e bárbaro (Marcos 6, 17-29). Ele foi vítima deste mundo do qual denunciava os pecados, os comportamentos imorais e as condutas desenfreadas.
Quantos até hoje não morrem assassinados por defender o direito dos pequenos e indefesos, quantos não morrem por lutar por uma sociedade justa e fraterna. Ainda hoje é preciso preparar os caminhos do Senhor: abaixar os montes elevados (orgulho, ambição...), preencher os vales afundados (omissões, vazios...) endireitar os caminhos tortuosos (egoísmo. ganância, ódio...). João Batista continua hoje a ser a voz profética da vinda do Senhor, através de nossas vozes.

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

ADVENTO, TEMPO DE ESPERANÇA.

O tempo de Advento nos introduz na esperança e na espera. Espera como no passado, tempo de Israel esperando o Messias: "Vem ao meu encontro... levanta-te para visitar estas nações todas" (Salmo 59, 5-6), espera do futuro "Ele há de vir para julgar os vivos e os mortos" (Símbolo apostólico) , espera no tempo presente, pois ele está sempre à porta e bate "se alguém ouvir minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa e cearei com ele, e ele comigo" (Apocalipse 3, 20).
Neste tempo de espera a Liturgia dos domingos destaca três pessoas, modelo de espera: Isaías, João Batista e Maria. Vamos tentar resgatar um pouco da vida de cada um para ver em que suas atitudes podem nos ajudar nós também a estarmos em estado de espera.

O PROFETA ISAÍAS
O seu nome significa em hebraico: “Javé é salvação”, do radical “yasha= ajudar, socorrer, salvar". O Profeta nasceu, provavelmente, nos anos de 760 A.C, em Jerusalém. Ele pertencia a classe alta da cidade e do Reino de Judá. Filho de Amós (Isaías 1,1, a não confundir com o Profeta Amós) a tradição rabínica conta que seu pai era irmão do rei Ozias (2º Reis 15, 1-7) ainda chamado Azarias.
Isaías conhece bem a cidade de Jerusalém e os lugares do poder: palácio, templo... ele tem suas entradas no palácio real e conhece por dentro a vida da classe alta. Ele fala com o rei num pé de igualdade. Suas duas grandes preocupações no seu ministério profético serão o templo e a dinastia davídica. Ele testemunha de uma formação nos meios sapienciais: ele usa um vocabulário sapiencial, apresenta parábolas, ele agrupa discípulos. Naquela época a classe dos “Sábios” era encarregada de dirigir os negócios do estado, eram conselheiros políticos do rei e elaboravam os planos políticos do reino.
A cena internacional desta época (segunda metade do VIII século a. C), é dominada pela ascensão de uma nova grande potência: a Assíria. Avançando para o oeste numa primeira campanha em 743 A.C a Assíria submete o reino de Israel ao tributo (2º Reis 15,19). Mas o verdadeiro plano é chegar até o Egito, anexando ao seu império todos os pequenos reinos existentes: Síria, Fenícia, Israel, Judá... O grande imperador Teglat Falasar III conseguirá chegar até o Egito sem conquistá-lo. O Egito era a outra potência dominante, mas mais fraca. Judá encontra-se entre os dois inimigos. Israel e a Síria formam uma aliança contra a Assíria, mas Judá se alia à Assíria. Esta situação vai gerar a guerra entre os dois reinos irmãos: Israel e Judá. Esta guerra será chamada “guerra siro-efraimita”.
Aliado da Assíria, Acaz se submete não somente ao Imperador, pagando tributo, mas também aceita os deuses assírios e seus costumes cultuais: "Acaz enviou mensageiros a Teglat Falasar, rei da Assíria para dizer-lhe: sou o teu servo e teu filho (2o livro dos Reis 16, 7). Narra também o mesmo livro que "Acaz não fez o que é agradável aos olhos do Senhor. Ele imitou a conduta dos reis de Israel, e chegou a fazer passar o seu filho pelo fogo, segundo os costumes abomináveis das nações (2o Reis 16, 2-4).
A situação do reino de Judá, como o de Israel, foi marcada por anos de prosperidade. Nos 50 anos de reinado de Ozias (2º Reis 15, 2), o país cresceu economicamente e desenvolveu-se uma classe rica. Como sempre quando uma parte da população enriquece a outra empobrece. Esta situação de prosperidade criou uma situação social de injustiça:
luxo e ganância dos ricos (Isaías 2, 7-8; 5. 11-13);
riquezas amontoadas a custa dos pobres (Isaías 5, 8-10; 32, 6-8);
luxo e decadência das mulheres de Jerusalém (Isaías 3, 16 a 4, 1; 32, 9-14);
mentira e violência (Isaías 1, 15-16; 3, 5-11);
Não há mais justiça nem homem honesto (Isaías 10, 1);
corrupção dos líderes, sacerdotes, profetas (Isaías 3, 12-15).
decadência religiosa: tudo é justificado pela religião (Isaías 1, 10-15; 1, 29-31;
2, 6; 2,18-20; 5, 18).
É neste contexto que se dá a vocação de Isaías como Profeta (Isaías 6, 1-13). Ele se sente revoltado diante da situação, diante dos conselheiros do rei que preferem seus planos ao plano de Deus. O próprio texto nos diz que a vocação de Isaías se dá “no ano em que faleceu o rei” (Isaías 6,1) provavelmente no ano 740 A.C. O início do livro nos informa que Isaías vai profetizar \até o reinado de Ezequias, ou seja no ano de 686 a. C, ano da morte de Ezequias. No livro apócrifo “Ascensão de Isaías” narra-se que ele foi martirizado no tempo do rei Manassés (sucessor de Ezequias). O rei mandou executá-lo com uma serra de cortar árvores.
Diante da situação em que se encontra o reino de Judá, o Profeta faz nascer uma grande esperança: virá um novo rei que trará a paz e a prosperidade para todos, ele será ungido de Deus (Messias). As profecias de Isaías a este respeito são reagrupadas nos capítulos 6 a 12 e formam o chamado "livro do Emanuel". Lá estão as esperanças do Profeta e os três grandes textos bem conhecidos de nós: 7, 14-17 (a jovem casada dará à luz); 9, 1 a 6 (o povo que andava nas trevas) e 11, 1-9 (um ramo sairá do tronco de Jessé).
As profecias que são palavra de Deus para iluminar a realidade do momento, tornaram-se profecias anunciando para o futuro um reino de paz trazido por um Messias. Cada uma reafirma que Deus está e estará sempre com o seu povo. A criança que vai nascer (Isaias 7) será chamada de Emanuel= Deus entre nós. ela receberá também os nomes de Deus forte, pai eterno, príncipe da paz Isaías 9, 5). O rebento que brota do troco de Jessé possui o Espírito de Deus na sua plenitude dos dons (Isaías 11, 1-2).
Ao reconhecer em Jesus de Nazaré o Messias esperado, os primeiros discípulos atribuíram também a Jesus estas profecias de Isaías. Jesus nasceu e recebeu o nome de Emanuel, pois ele é a presença de Deus entre nós. Ele veio como uma luz para todas as nações trazendo paz e justiça. Sobre ele repousa o Espírito Santo de Deus e mostrou pelos seus sinais que ele vinha estabelecer o reino de Deus, reestabelecendo a harmonia entre todos os seres da Criação.
No meio de todas as tribulações em que vivemos, o Profeta Isaías vem ainda nos dar esperança, nos encorajar a continuar a caminhada, pois esperar pelo Senhor, nunca é vã. O importante é se manter firmes, pois a esperança não decepciona. Escutamos ainda hoje com muita atenção o conselho do Profeta: "Se não crerem, não se manterão firmes" (Isaías 7, 9).

sábado, 12 de novembro de 2011

Dia da consciência negra.

No dia 20 deste mês de novembro lembraremos o grande líder da libertação negra: Zumbi. Ao reler a sua vida e a sua ação e a vida e ação de Moisés, é impressionante como os dois se parecem. A final uma mesma chama de fogo abrasava o coração dos dois. Esta chamaera a presença do próprio Deus da Libertação presente em suas vidas. No coração dos dois queimava e não se consumia o fogo da sarça ardente (Êxodo 3, 1-15). Possamos arder também na luta pela justiça contra a discriminação de hoje.

Dia da Consciência Negra: MOISÉS e ZUMBI.
20 de novembro de 2.011

1. Uma situação parecida:
Moisés: ler no livro do Êxodo 1, 11 e 13; 1, 15 e 16; 5, 4 a 9 e 17.
2, 1 a 10.
Zumbi: líder negro, nascido em 1655 no Quilombo dos Palmares, entre
Alagoas e Pernambuco. Foi o maior símbolo da resistência negra contra
a escravidão. Durante uma expedição contra Palmares, comandada por
Brás da Rocha, foi raptado ainda recém-nascido e entregue ao Pe. Antônio
Melo, vigário de Porto Calvo, que o criou sob o nome de Francisco.
Enquanto viveu com o Pe. Antônio Melo, foi alfabetizado, aprendeu latim e
passou a ajudar missa. Em 1670, aos 15 anos, fugiu e foi morar com o seu
povo no Quilombo dos Palmares, onde adotou o nome de Zumbi (que
significa guerreiro) e foi acolhido por uma família. Na época o Quilombo dos
Palmares era comandado por Ganga Zumba (que significa grande senhor) e
era tio de Zumbi

Em cada época e em cada ligar:
o povo está no cativeiro, lá como cá, trabalhos forçados
privação dos seus direitos fundamentais: dar a vida.
eliminação de sua cultura, muda até os nomes
imposição de outra religião: não podem ir no deserto
cultuar o Deus dos seus antepassados.

2. Dois homens em busca de libertação:
Moisés. Filho de hebreus, isto é de escravos.
Salvo pela sua mãe que não quer mata-lo.
Criado na corte real pela filha de Faraó que o recolheu.
Ele aprende a cultura do dominador e muda de nome (Moisés,
filho do deus... Nome egípcio.
Ele tem que fugir no deserto, junto aos nômades onde reaprende a viver
como seus antepassados nômades: cultura, modo de trabalhar...
Animado por Deus, ele volta ao Egito e organiza a libertação do seu povo

Zumbi. Filho de negros escravos, já fugitivos do sistema escravagista.
Raptado por inimigos do seu povo.
É criado à maneira dos brancos
Recebe a cultura dos brancos: latim ,missa,
Até muda de nome: é Francisco.
Foge para o Quilombo
Prepara a resistência, organiza a luta.

Ainda hoje, o povo vive na escravidão, mas muitas vezes não tem consciência dessa situação. Ele sofre, acha a vida dura, mas não percebe o porque, numa palavra, não é CONSCIÊNTIZADO. Consciência negra significa, consciência de ser negro e negro explorado, escravizado, consciência que se deve lutar pela liberdade e a dignidade de todas as pessoas humanas.
O que falta é tomar consciência não somente de ser negro ou mulher, mas consciência que qualquer que seja a cor, o sexo, a idade, ainda hoje milhares de pessoas vivem em condições desumanas, nem são tratadas como pessoas, consciência que essa situação só poderá mudar com o nosso engajamento, nosso compromisso, nós mesmos nos organizando para nos libertar. A libertação não vem de cima, das mãos de quem quer que seja, ela virá somente de baixo, dos que são escravizados:

“Eu acredito que o mundo será melhor,
quando o menor que padece acreditar no menor”.

“Quem gosta da gente, somos nós,
e quem, vem nos ajudar”.

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

BIBLIA E MISSÃO II

BÍBLIA E MISSÃO. 2

“O primeiro passo para a missão é SAIR. Sair de si mesmo, dos seus costumes, do seu circulo familiar ou de amigos. Sair dos seus preconceitos e de suas posturas definidas. Sair para ir ao encontro do outro”.

“Sai da tua terra, da tua parentela e da casa do teu pai, para a terra que te mostrarei.” (Gênesis 12, 1). Assim começa a história de Abraão e, portanto, a história do povo de Israel, como relata o livro do Gênesis.
Sair de onde estamos estabelecidos, onde está tudo organizado, onde estamos acostumados.
Sair da sua terra como Abraão, várias pessoas foram convidadas a fazê-lo. Mas podemos sair também da nossa casa para ir ao encontro da realidade que nos cerca, para ir ao encontro das pessoas tão perto de nós e tão longe no mesmo tempo, que, às vezes, nem sequer conhecemos o nome!
Foi isso que fez Moisés: “Naqueles dias, Moisés cresceu e saiu para ver os seus irmãos e, viu as tarefas que pesavam sobre eles” (Êxodo 2, 11). Ele saiu do palácio onde estava levando uma vida tranqüila, para ver a realidade em que viviam seus irmãos de sangue. Após a sua intervenção mal sucedida, ele teve que sair até do país do Egito e se refugiar em Madiã. É de lá que ele sairá para a sua missão libertadora.
A missão começa desinstalando, porque ela parte de um desejo de comunicar uma Boa Nova. É como um fogo que arde por dentro como se exprime o profeta Jeremias: “Quando eu pensava: não me lembrarei dele, já não falarei em seu Nome! Então isso era no meu coração um fogo abrasador” (Jeremias 20, 9). A missão nos faz quebrar as barreiras da discriminação, seja social, seja racial ou religiosa. Por isso a missão é universal. Abraão vai de Ur da Caldéia até Harã, de Harã até Canaã, de Canaã até o deserto do Negueb, e do deserto do Negueb até Egito, “de acampamento em acampamento” (Gênesis 12, 9). O missionário não se prende a um lugar, a um grupo, a uma família, ele vai sempre mais para frente: “Jesus disse-lhes: vamos a outros lugares, às aldeias da vizinhança, a fim de pregar também ali, pois foi para isso que eu saí. E foi por toda a Galiléia, pregando nas suas sinagogas e expulsando os demônios” (Marcos 1, 38-39). Nós teremos oportunidade de rever isso também no livro dos Atos dos Apóstolos com os grandes missionários Paulo de Tarso, Barnabé, Timóteo... eles saem cada vez mais longe e até as extremidades da terra. A missão recebida por Abraão o torna bênção para todos (universal): “Por ti serão benditos todos os clãs da terra” (Gênesis 12, 3).
Toda cristã, todo cristão é missionária(o). Não está muito certo uma pessoa declarar: “eu, padre, vou da minha casa para a igreja e da igreja para minha casa...” Onde está a missão nesta atitude que se quer cristã? Ninguém vai ao encontro dos outros por curiosidade, saber o que se tem na casa do vizinho, vai para levar uma palavra de conforto, de ânimo: “O Senhor Deus me deu uma língua de discípulo para que eu soubesse trazer ao cansado uma palavra de conforto” (Isaías 50, 4). É nisto que consiste a “bênção”.
“Sê uma bênção”! O missionário é uma bênção para todas as pessoas que ele encontra pelas palavras que ele traz, mas também pelas atitudes que ele toma perante as pessoas. Se animado pelo Espírito Santo, ele irradia os frutos do Espírito Santo: “amor, alegria, paz, bondade, paciência, mansidão...” (Gálatas 5, 22). Quando Abraão se esquece da sua missão e engana o Faraó do Egito, afirmando que Sara não é a sua esposa, e sim a sua irmã. Então Faraó toma Sara como esposa, mas cai sobre o Egito a desgraça: “então Deus feriu Faraó com grandes pragas, e também sua casa por causa de Sara” (Gênesis 12, 10-20).
Estamos aqui diante de uma atitude importante do missionário: conhecer e se adaptar à cultura das pessoas que ele vai encontrar. A primeira atitude do missionário é a “compreensão”. Compreender significa abraçar a maneira de se comportar, de pensar do outro. Levar a boa nova da fé em Jesus Cristo, não é levar a nossa cultura, o nosso modo até de viver a fé. È, antes de tudo, permitir o encontro entre a pessoa e Jesus. Foi a missão de João Batista: “Ao ver Jesus que passava, João disse: Eis o cordeiro de Deus. Os discípulos ouviram-no falar e seguiram Jesus. Jesus perguntou: o que estão procurando? Responderam: Mestre onde tu moras? Jesus respondeu: venham e vejam. Eles foram e permaneceram com ele naquele dia” (João 1, 35-39).

Para continuar a reflexão:
Já participou de missões populares? O que você achou mais difícil?
Para desempenhar bem a minha missão, de que devo me desprender em
primeiro lugar?
Como posso ser uma “bênção” hoje na minha realidade?

terça-feira, 9 de agosto de 2011

MÊS VOCACIONAL

VOCAÇÃO: “O Senhor está aqui e te chama!” (João 11, 28).

1. Chamado:
A palavra “vocação” vem do latim “vocare” que significa “chamar”. Por isso vocação é também chamado.
Quando falamos em chamado, é claro que supõe alguém que chama, alguém que escuta o chamado e este chamado é em função de algo a ser realizado (uma missão).

2. Chamados á VIDA:
Toda pessoa humana é chamada à vida. Nossa vocação é em primeiro lugar: viver. Um homem e uma mulher se uniram e nos chamaram à vida. A existência é o fato de estar no mundo (ex-istir).
Fomos chamados à vida e para a vida.
Assim também os autores bíblicos nos apresentam a vocação humana. Vamos abrir o livro de Gênesis 1, 27-28: “Deus criou o homem à sua imagem, à imagem de Deus ele o criou, homem e mulher ele os criou. Deus os abençoou e lhes disse: sejam fecundos, multipliquem-se, enchem a terra e a submetem, dominem sobre os peixes do mar, as aves do céu e todos os animais que rastejam sobre a terra”.
Como Deus é autor da vida, ele dá a mesma possibilidade ao ser humano. Ele será transmissor de vida e cuidará desta vida. É o que complementa o segundo capítulo de Gênesis 2, 5. 7-8. 15: “Não havia ainda nenhum arbusto dos campos sobre a terra e nenhuma erva dos campos tinha ainda crescido porque Deus não tinha feito chover sobre a terra e não havia homem para cultivar o solo. Então Deus modelou o homem com a argila do solo, insuflou em suas narinas um hálito de vida e o homem se tronou um ser vivente. Deus plantou um jardim em Éden, no oriente, e aí colocou o homem que modelara para cultivar e guardar o jardim”.
Cultivar e cuidar do jardim são a missão de todo ser vivente, para isso foi criado. A Campanha da Fraternidade nos alerta na maneira como nós, hoje, estamos vivendo esta nossa missão. Vamos ouvir de novo o hino da Campanha e meditar um pouco na mensagwem que ele quer nos transmitir. Vamos escutar o testemunho de uma mãe de família e atende de os uma creche. Como ela vê a sua missão de transmitir e cuidar da vida?

3. A própria vida nos chama:
A pessoa que compreende e assume a sua vocação à vida, muitas vezes fica indignada com a realidade que enxerga. A vida é maltratada. A Campanha da Fraternidade deste ano nos interpela neste assunto: “Vida do planeta”. De fato o que vê é como um chamado a tomar posição, a se engajar numa luta por melhores condições de vida. É a vida sob todas as suas formas: vida humana, vida animal, vida ambiental...
A Bíblia nos guardou a história de muitas pessoas que vendo a situação desastrosa da Criação se levantaram e tomaram a defesa da vida. Nos lembramos de Moisés: “Moisés saiu para ver os seus irmãos, e viu as tarefas que pesavam sobre eles; viu também um egípcio que feria um dos seus irmãos hebreus.. E como olhasse para uma e outra parte e visse que ninguém estava ali, matou o egípcio e o escondeu na areia” (Êxodo 2, 11-12)
O Profeta Miquéias se indigna diante do comportamento dos líderes do povo de Israel: “Ouvi isto chefes da casa de Jacó e magistrados da casa de Israel, vocês que detestam o direi, que torcem o que é reto, vocês que edificam Sião com o sangue e Jerusalém com injustiça. Seus chefes julgam por suborno, seus sacerdotes ensinam por salário e seus profetas vaticinam por dinheiro” (Miquéias 3, 9-11).
Será a mesma atitude de Jesus diante as injustiças e as opressões dos governantes do seu tempo: “Vocês sabem que aqueles que vemos governar as nações as dominam, e os grandes as tiranizam” (Marcos 10, 42).
Jesus fica indignado diante a dureza de coração dos líderes religiosos, presos a uma lei, em vez de se solidarizar com o sofrimento dos mais frágeis. Na sinagoga, ele manda o homem da mão atrofiada vir para o centro e perguntou: “É permitido no sábado, fazer o bem ou fazer o mal? Salvar a vida ou matar? Eles, porém, se calavam. Repassando então sobre eles um olhar de indignação, e entristecido pela dureza do coração deles, disse ao homem: estenda a mão. Ele a estendeu e a mão estava curada” (Marcos 3, 4-5).

Assim a realidade dura e sofredora de milhares de pessoas moveu gente para responder às necessidades dos mais atingidos: Profeta Miquéias, Profeta Amós... Jesus de Nazaré, os Apóstolos, tantos Santos e Santas, Madre Tereza, Irmã Dulce, Dom Oscar Romeu... Religiosos(as) como leigos(as). Tem também muitas pessoas, que sem ser cristãs se dedicaram à luta pela vida: Gandhi, Dalai Lama, vários diziam não acreditar em Deus, mas acreditava na pessoa humana que devia ser respeitada na sua dignidade.
E nós o que nos indigna nesta realidade em que vivemos? O que nos chama a responder ao apelo de Deus em consagrar a nossas forças (físicas, intelectuais, morais, espirituais) a serviço da Vida?

É preciso estar sempre à escuta de Deus que chama. Ele chama pela voz de muitas pessoas que nos cercam, pois a voz do pobre é o chamado de Deus. "Quando te vimos Senhor...? Cada vez que você encontrou alguém na necessidade,,,,Era EU!" (Mateus 25, 37-40),



















Desculpas!

Caras leitoras e caros leitores,
Lhes devo muitasa desculpas pela interrupção do meu blog nestas últimas semanas. Uma série de problemas atropelaram o ritmo de minha vida...mas estou de volta! Agora estou residindo em Manaus, onde minha missão é a a nimação bíblica numa periferia da cidade. Temos um encontro de formação bíblica toda semana, e 10 comunidades que um dia da semana à noite realizam um circulo bíblico. Tive que me adapatar ao meu novo campo de trabalho como também às pessoas com quem vou lidando no dia a dia. Mas vamos tentar retomar a nossa evangelização pela Internet e neste mês das vocações estou publicando um pequeno texto sobre a vocação. A todas e todos desejo umas boa leitura e um bom aproveitamento. Que todas e todos fiquem na paz do Senhor Jesus, Pe.Francisco OMI